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Sobreviventes da Kiss enfrentam lentidão para ter remédios pelo SUS

14 de agosto 2013 - 11h00 Por Redação Douranews
Sobreviventes da Kiss enfrentam lentidão para ter remédios pelo SUS

Sobreviventes do incêndio que matou 242 pessoas e deixou mais de 600 feridos na boate Kiss, em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul, enfrentam dificuldades para conseguir remédios gratuitos através do Sistema Único de Saúde (SUS). Os problemas estão concentrados na demora e na necessidade de intervenção judicial para ter acesso à medicação, como mostra a reportagem do RBS Notícias (veja o vídeo).

Jarlene Moreira estava na casa noturna no dia da tragédia. Ela sobreviveu ao incêndio, mas segue com a saúde debilitada. Com bronquite asmática e dificuldade para caminhar, Jarlene precisa tomar dez remédios diferentes por dia. Porém, desde que teve alta do hospital, em fevereiro, nunca conseguiu remédios pelo SUS. “Já tentei diversas vezes, mandei toda papelada, ligo para lá, nunca sabem me informar nada, nunca tem retorno de nada”, reclama.

A estudante Naiara Neuenfeldt é outra sobrevivente que passa por problemas semelhantes. Ela diz ter desistido de pedir medicamentos gratuitos para combater uma inflamação no pulmão. “No início do tratamento, minha mãe foi na 4ª coordenadoria, aqui em Santa Maria, mas disseram que só por via judicial, que o processo é demorado. Achamos melhor comprar porque a gente precisava do medicamento para ontem”, relata.

Os médicos alertam que a demora para tomar a medicação põe em risco a saúde dos pacientes com problemas pulmonares, como é o caso das pessoas que inalaram a fumaça tóxica durante o incêndio na Kiss. Se o tratamento for interrompido, sintomas que já haviam sido controlados podem voltar.

"Tosse, falta de ar e chiado no peito. E nesta época do ano, principalmente, esses pacientes que eventualmente venham a ficar sem medicação podem realmente ter o quadro bastante agravado porque é esta medicação que está mantendo eles com sintomas sob controle", ressalta o pneumologista Gustavo Michel

A 4ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) afirma que os remédios que constam na lista do estado são fornecidos em até 20 dias. “Já são seis meses da tragédia. Neste momento, os sobreviventes da Kiss estão dentro do fluxo normal de atendimento do SUS”, alega a coordenadora substituta, Flávia Costa da Silva.