A família de Eben Aldus Renato da Silva Borges, de 29 anos, internado no posto 4 do HU (Hospital Universitário) de Dourados, para tratamento de esquizofrenia, registrou BO (Boletim de Ocorrência) solicitando providências da direção do HU contra o funcionário Eudes Luiz Nogueira Farias, a quem acusam de agressões e de espancar o rapaz no interior do hospital.
De acordo com a Ocorrência 5621/2013, registrada por Maria Helena Gimenez Rodrigues, de 54 anos, mãe de Eben, o rapaz foi internado há 45 dias, com problemas psiquiátricos e na quarta-feira (30), por volta de 17h45, teria sido agredido pelo técnico de enfermagem Eudes, no momento em que estava prestes a receber a alta hospitalar.
A mãe do paciente disse que foi até o HU para levar o filho para casa e o encontrou “todo lesionado, com olhos roxos, escoriações pela face, reclamando de dores de cabeça”, segundo o Boletim de Ocorrência, em consequência das agressões sofridas do enfermeiro.

Sequência de fotos marcam sinais da violência no rosto e cabeça do paciente
O pai do rapaz, João Batista da Silva Borges, que reside em Sidrolândia, veio a Dourados para acompanhar o caso e foi informado de que o filho chegou a ser amarrado por dois outros funcionários do hospital enquanto era agredido pelo técnico de enfermagem. Ao Douranews, ele apresentou fotografias feitas do estado em que o rapaz ficou após ter sido espancado. “O que ficamos sabendo lá dentro [no HU] é que o enfermeiro é lutador de jiu jtsu”, acrescentou o pai.
Segundo ainda a mãe de Eben Aldus, as agressões contra o filho dela foram presenciadas pelas enfermeiras identificadas no Boletim de Ocorrência como Irma Kemparski, Madalena Cáceres e Marelita. “Há sinais de sangue por todo o quarto, inclusive com manchas no teto”, relatou Maria Helena no BO registrado na 1ª. DP (Delegacia de Polícia) de Dourados.
O pai do rapaz disse no Douranews que o enfermeiro pode ter reagido à resistência demonstrada pelo filho em tomar um medicamento antes de ser liberado. "Mas ele tinha que saber que estava lidando com paciente esquizofrênico", afirmou João Batista. O rapaz se recusou a receber o remédio, segundo o pai, e teria dado uma cabeçada no rosto do enfermeiro que revidou com os golpes registrados em fotos.
Hospital reage
De acordo com a assessoria de imprensa do HU, um relatório dos fatos já foi entregue para o diretor-geral do hospital, professor Wedson Desidério Fernandes, e se comprovadas as denúncias da família será aberto um procedimento administrativo para apurar responsabilidades do servidor. A assessoria confirmou ainda que este é o primeiro caso registrado na ala psiquiátrica, e que a direção do Hospital Universitário zela pelo bom atendimento e a segurança dos pacientes desse setor. A assessoria do HU informou que o técnico em enfermagem também foi orientado a registrar BO.
Delegado não fala
O caso está sendo apurado pelo delegado Adilson Stiguivits, que não foi encontrado pelo Douranews para falar sobre o assunto. Na 1ª. DP, um agente informou que Stiguivits só irá se manifestar na segunda-feira (4) sobre os procedimentos adotados a partir das denúncias.