Uma imagem do tipo ‘antes e depois’, mostrando como funciona o sistema respiratório de uma pessoa, as condições da garganta e do pulmão em fumantes e não-fumantes, e os efeitos de uma doença cancerígena, provocada muitas vezes pelo excesso do fumo e do álcool, pode, de início, provocar um choque para quem abre uma página na Internet.
Mas, se esses efeitos, para alguns considerados chocantes e trágicos, forem levados a sério, por aqueles que, especialmente, venham a se ‘identificar’ com o caso, retratado, então já será possível dizer que os objetivos foram alcançados.

Mario Eduardo defende a prática da Medicina 'olho no olho'
“A ideia é fazer com que o paciente chegue antes, não espere o problema se agravar para, só depois, procurar atendimento”, define o médico oncologista Mário Eduardo, especialista em cirurgia de cabeça e pescoço e um dos mentores da criação da ala oncológica do HE (Hospital Evangélico), de Dourados, que deu origem ao Hospital do Câncer na cidade.
Autor da iniciativa de expor as doenças, causas e efeitos, e formas de tratamento, no perfil que mantém pelo Facebook, Mário Eduardo garante que já conseguiu, em pouco mais de três anos, alertar muita gente e inclusive contribuir com colegas de profissão de várias regiões. “As pessoas tem que se ver nos exemplos mostrados, e encarar essa realidade olho no olho, igual eu faço como médico”, propõe.
No dia mundial da saúde, celebrado nesta segunda-feira (7), o profissional diz que pertence a uma linha que se propõe a exercer a Medicina “baseada nos problemas da população”, com uma formação “fora do hospital”. Essa receita, segundo ele, permite interpretar os aspectos biológicos, psicossocial e espiritual do paciente.
Atuando em Dourados desde 2004, o médico foi um dos precursores do projeto de criação da ACCGD (Associação de Combate ao Câncer da Grande Dourados), que envolveu toda a comunidade de Dourados e região. Chegou a presidente de honra da entidade em 2005 e hoje é um dos diretores do Hospital do Câncer. Já foi também secretário municipal de Saúde em Dourados.
Câncer tem cura
A unidade de oncologia de Dourados atende hoje em torno de 1.000 pacientes por mês. Desse total, 200 estão em processo de radioterapia, outros 300 passando por sessões de quimio e os demais submetendo a outros procedimentos do segmento oncológico. “Mas, sem dúvida, o mais importante é a prevenção, quanto mais cedo a doença for diagnosticada, mais fácil será o tratamento”, diz o médico.

Na página na internet, médico mostra tipos de doenças e de tratamento
Pelas redes sociais, Mário Eduardo entende que é muito mais fácil de atingir as pessoas, aproximar-se dos problemas da comunidade, despertar, inclusive, a curiosidade sobre um assunto. “O movimento de junho/julho do ano passado [quando parte da população saiu às ruas para defender mudanças, inicialmente, no sistema de transporte urbano] mostrou o quanto as redes sociais são importantes e decisivas. Eu não tinha visto mobilização igual desde o impeachment do ex-presidente Collor [em 1992], basta saber usar esse espaço que os resultados aparecem”, afirma.
O médico douradense disse que, às vezes, pode parecer que as imagens mostradas no Facebook “são muito feias”, mas a realidade existe e não pode ser ocultada. Ele também mostra casos que afetaram personalidades como o ex-presidente Lula, a atual presidente Dilma Rousseff e o ator Reynaldo Gianechini, por exemplo. “O importante é não esconder a doença”.
“Divulgar na rede é uma demonstração de que se o problema existe ele tem que ser enfrentado; não existe uma sentença antecipada de morte para um paciente com câncer. É isso o que procuramos mostrar, se a doença apareceu ela tem que ser combatida, tratada e, quando mostrada na rede, apresentamos a renovação da esperança de cura”, conclui.