A chegada dos médicos cubanos como alternativa para suprimir a defasagem de médicos no interior do país, apontada como solução aos problemas de Saúde Pública no Brasil, está muito longe de ser a salvação do setor. Ainda mais em ano eleitoral, ficam ainda mais evidentes os distúrbios estruturais que predominam no setor, a começar pelo sistema que gere o próprio SUS (o Sistema Único de Saúde), estatal, universal, gratuito e de qualidade, cujos propósitos vem sendo descumpridos desde que foi criado.
A situação econômica do país, a confluência de déficits fiscais, alta pressão das dívidas externas e o modelo político neoliberal resultaram em políticas de ajustes estruturais que reduzem os investimentos em despesas públicas, apresentando como saída as propostas de privatização para redução de gastos com o setor público, como aponta estudo publicado pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Neste cenário, é possível observars o crescimento dos planos de saúde privados (bem como o aumento dos subsídios fornecido pelo governo), as PPPs (Parcerias Público Privadas), as Organizações Sociais e as Fundações Estatais de Direito Privado (representadas pelo surgimento da Ebserh, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, por exemplo), estabelecendo o processo de universalização excludente e caminhando na contramão dos princípios e propostas dos movimentos da Reforma Sanitária.
Um exemplo disso está colocado em Dourados, onde a maior e mais tradicional unidade de atendimento hospitalar, o HE (Hospital Evangélico), mantido pela ABD (Associação Beneficente Douradense), vive momento crítico especialmente destacado pelo movimento dos servidores no sentido de recuperar a credibilidade da instituição junto aos credores e organismos públicos. Afundado em dívidas, o Evangélico mantém o atendimento pelo SUS e padece das ações policialescas e judiciais implementadas pelas autoridades públicas de saúde, ora questionando custos dos serviços, ora a qualidade, mas, em todos os casos, esquivando-se dos compromissos contratuais assumidos.
Em nota, divulgada nesta segunda-feira (4), a direção do Evangélico mostra, por exemplo, que tem uma dívida da ordem de R$ 5 milhões para receber do SUS desde 2009, por serviços prestados, conferidos e auditados pelo próprio Ministério da Saúde. No mesmo ano, o HE emprestou medicamentos para suprir deficiências do Município e ainda aguarda restituição. O hospital não recebeu o valor equivalente a R$ 2,4 milhões que já se transformou em carta precatória, segundo a nota, e não tem prazo para quitação. Para recuperar o equilíbrio financeiro, o HE espera que os organismos públicos promovam o incentivo necessários à nova contratualização pelos serviços que oferece à população de Dourados e de outros 34 municípios do entorno