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Remédio da maconha pode curar convulsões em crianças

15 de dezembro 2014 - 15h13 Por Redação Douranews
Remédio da maconha pode curar convulsões em crianças

Crianças e adolescentes podem oficialmente receber um composto da maconha para fins medicinais. O CFM (Conselho Federal de Medicina) liberou o uso do canabidiol, derivado da maconha, para portadores de doenças neurológicas com convulsão de difícil controle.

A maconha, ou Cannabis sativa, como é o nome científico desta planta, é composta por várias substâncias. Dentre elas destacam-se especificamente duas, que pertencem ao grupo dos fitocanabinóides: o THC, que é o tetrahidrocanabidiol e o CBD, que é o canabidiol. Estas duas substâncias são diferentes. Têm, portanto, efeitos diferentes. 
 
O THC  é o responsável pelos efeitos psicoativos característicos da maconha como, por exemplo,  confusão mental, sensação de prazer ou de euforia, percepção de estímulos e sensações mais aguçadas, pensamento solto, porém mais lento, menor capacidade cognitiva e maior dificuldade na  coordenação motora. O THC é o componente que causa o maior grau de dependência, em consequência, naturalmente, da dose, frequência de uso, idade e vulnerabilidade individual do usuário. 
 
Adolescentes que utilizam maconha “in natura” são mais susceptíveis a todos esses efeitos que podem, inclusive, dependendo de características específicas de cada um, apresentar sequelas irreversíveis no potencial cognitivo para o resto da vida, afirma a médica Ana Escobar, em publicação no G1. Ao contrário do que muitos preconizam, a maconha “in natura”, portanto, não é mais inócua que outras drogas.
 
O CBD, ou canabidiol, por sua vez, é que foi liberado. É um medicamento que possui  apenas  esse componente ativo da maconha. O CBD mostrou-se eficaz no controle de convulsões em crianças e adolescentes portadores de quadros neurológicos graves, que cursam com crises epilépticas de difícil controle por medicamentos já padronizados. O CBD tem a capacidade de diminuir a atividade química e elétrica do cérebro, fazendo com que os sintomas convulsivos das doenças diminuam significativamente. Importante saber: o CBD isoladamente não produz os efeitos de euforia ou de “barato”. Não causa dependência, vício ou sedação. Atualmente só pode ser prescrito por três especialidades médicas: neurologistas, neurocirurgiões e psiquiatras, que devem seguir regras específicas para sua indicação.