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Estudo mostra indice de contaminação por DST nos presídios

03 de março 2015 - 19h07 Por Redação Douranews
Estudo mostra indice de contaminação por DST nos presídios

Um grupo de pesquisadores da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), apresentou nesta terça-feira (3), na Escola Penitenciária de Mato Grosso do Sul, o resultado de dois anos de pesquisa realizados em 12 unidades prisionais do Estado, através de uma parceria com a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário).

        Realizado nos estabelecimentos penais de regime fechado de Campo Grande, Dourados, Corumbá e Ponta Porã, nos anos de 2013 e 2014, o estudo avaliou incidências e causas de doenças infectocontagiosas, como a tuberculose e as DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) em mais de 3.500 detentos, conforme explica o médico infectologista Júlio Croda, que comandou a pesquisa.

“Nós constatamos  que mais de 60% dos internos que participaram do estudo ainda não tinham sido  vacinados contra a Hepatite do tipo “B”, por exemplo e que há uma alta prevalência de DSTs entre os detentos, muito embora não haja a transmissão entre os internos”, lembra Croda.

        Além de levantar a situação de saúde dos internos, a pesquisa tem também cunho preventivo, através do diagnóstico precoce e de tratamentos das doenças, visando conter novas infecções. Por esse motivo, o estudo envolve a Sejusp (Secretaria estadual de Justiça e Segurança Pública), e será, a partir de agora, acompanhado de perto pelo adjunto da pasta, Hélton Fonseca e pelo superintendente de Políticas Penitenciárias, Rafael Garcia Ribeiro, que junto com diretores da Agepen, dirigentes das unidades prisionais e representantes da Secretaria estadual e municipal de Saúde de Campo Grande, assistiram à divulgação do resultado.

“Essa aproximação com a realidade prisional do nosso Estado possibilita tomada de decisões políticas importantes para o desenvolvimento conjunto de ações, com universidades e as secretarias de saúde, bem como, dentro da filosofia do novo Governo, para a melhoria e eficiência dos  serviços e órgãos públicos”, explicou o secretário adjunto de Justiça e Segurança Pública.

        A professora e pesquisadora da UFMS, Ana Rita Mota Coimbra, que também coordenou o estudo alerta para o alto índice de HIV/Aids entre os internos. “Entre os 3.365 pesquisados, 55 apresentaram resultados positivos para os exames de HIV/Aids, desses, 20 tinham conhecimento da infecção e outros 35 não sabiam e a partir da nossa pesquisa, 72% deles foram incluídos em programas de tratamento com uso de terapia retrovial”, explica.

Segundo a pesquisadora a grande maioria dos infectados contraíram a doença durante tatuagens caseiras, ou, em atos sexuais com a ausência do uso de preservativos, por exemplo. Para Ana Rita, foi surpresa identificar durante o estudo que a grande maioria dos internos sabe como são contraídas as DSTs, mas desconhece os meios de contaminação da Hepatite B, por exemplo.

        Pedro César Figueiredo de Lima, diretor-presidente da Agepen, afirma que a partir do estudo serão adotadas medidas preventivas e de controle dessas doenças, através do diagnóstico precoce, que deverá ocorrer tão logo o interno ingresse no sistema e também, com programas de educação em saúde, que já existem e serão reforçados nas unidades prisionais. “São medidas de extrema importância não apenas para os internos, mas principalmente para os nossos servidores”, finalizou.