Buscar quarta-feira, 2 de setembro de 2026
(67) 99913-8196
Dourados
17°C
Saúde

Tuberculose registra 40% de sequela pós-tratamento

27 de agosto 2015 - 13h01 Por Redação Douranews
Tuberculose registra 40% de sequela pós-tratamento

A tuberculose é a maior causa de morte por doença infecciosa em adultos e, mesmo que tratadas, as pessoas infectadas pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, podem apresentar alterações e sequelas pulmonares. Uma pesquisa de mestrado, inédita, realizada pela professora de Fisioterapia da Unigran, Simone de Sousa Elias Nihues, orientada pelo médico infectologista Júlio Croda, revela que a prevalência estimada de sintomas respiratórios crônicos e de distúrbios da função pulmonar foi de 45% e 41%, respectivamente.

O objetivo da pesquisa foi de estimar as sequelas em indivíduos pós-tuberculose, através da realização do exame de espirometria. O estudo estabeleceu ainda, uma comparação entre a população indígena e não indígena na cidade de Dourados. A amostra foi de 161 participantes, que responderam ao questionário clínico e realizaram a espirometria.

“Foi um trabalho intenso, a coleta não foi fácil, foi um desafio. Muitos pacientes se negaram a participar porque já se julgavam curados, outros fizeram o tratamento sem a família saber. Procuramos pacientes que tinham terminado o tratamento de forma adequada, para avaliarmos quais foram as sequelas, porque eles voltavam para a rede pública como se tivesse com uma recidiva de tuberculose e, na verdade, eram sequelas”, esclarece Simone.

Dentre as sequelas mais comuns da tuberculose estão a tosse, expectoração, dispneia [falta de ar em atividades leves, como por exemplo, para caminhar ou subir escadas], e, de acordo com a professora, “a proposta é de que, a partir deste estudo, uma equipe multidisciplinar faça abordagens diferentes com esses pacientes”.

A pesquisa dela foi tão reconhecida que um artigo sobre o trabalho foi publicado em jornal brasileiro de doenças infecciosas. “É muito gratificante, pois esse estudo é inédito em todo o mundo”, disse.

A professora Simone destaca que o estudo vai servir como orientação para os médicos e equipe multidisciplinar, para que esses pacientes possam ser tratados de maneira adequada e serem reabilitados. “Por exemplo, a fisioterapia pode reabilitar na melhora da dispneia, amenizar alguns sintomas, para melhorar a qualidade de vida”, menciona.

As pessoas que tiveram tuberculose e não fizeram o exame de espirometria podem procurar o CRTH (Centro de Referência em Tuberculose e Hanseníase) em Dourados, que funciona na rua Melvin Jones, 706, no centro da cidade, e atende ainda pelo telefone 67 3428-1251, para receber melhor orientação sobre o assunto.