Cerca de 390 milhões de pessoas são infectadas por ano com o vírus da dengue, segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), motivo pelo qual a doença é considerada um grave problema de saúde pública. Este foi um dos dados alarmantes apresentados na tarde desta quinta-feira (11) durante a audiência pública “Estudos e Avanços no Controle da Epidemia da Dengue em Mato Grosso do Sul”, proposta pela presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, deputada Mara Caseiro (PTdoB).
“O crescimento da doença muito nos preocupa, pois sabemos que prevenir é melhor que remediar e queremos evitar mais mortes”, ressaltou a deputada.
Dados fornecidos pela Secretaria estadual de Saúde indicam que somente este ano já foram registrados 31.512 casos de dengue em todo o Estado e uma epidemia pode ocorrer no próximo ano.
Ao todo, 13 óbitos por dengue foram confirmados, sendo três em Dourados. Os números assustam em comparação ao ano anterior, quando foram registrados 9.256 casos.
Para a superintendente estadual de Vigilância em Saúde, Ângela Cunha Castro Lopes, é preciso mudar a cultura de responsabilizar apenas o poder público pela infestação de dengue.
“Não adianta saber como prevenir a proliferação do mosquito e não agir, pois é como ser hipertenso e reclamar pelo remédio sem agir cortando o sal. Uma epidemia só pode ser evitada se todos agirmos em conjunto”, alertou.
A alta incidência de vetores foi constatada em 67 municípios de Mato Grosso do Sul e a Secretaria estadual ainda alerta que um mosquito fêmea infectado pelo vírus pode produzir mil ovos, que resistem até 450 dias à espera de água para eclodir.
Em 2013, Campo Grande atendeu cerca de 1.500 pacientes por dia nas Unidades Básicas de Saúde decorrentes da epidemia de dengue, segundo o secretário municipal de Saúde, Ivandro Fonseca.
“Constatamos que 38% desses pacientes eram oriundos do centro da cidade, ou seja, não são só os terrenos baldios que estão mal cuidados. Estamos correndo contra o tempo com as ações preventivas, com auxílio do Exército e autorizações do Tribunal de Justiça para obrigar as pessoas a colaborar e abrir as casas para os agentes de saúde, para quando chegarmos no período de chuvas, de janeiro a abril, a situação estar controlada”, afirmou, destacando que a população precisa estar alerta e ajudar para evitar uma nova epidemia em 2016.