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Brasil só consegue universalizar saneamento em 2054

13 de janeiro 2016 - 11h31 Por Redação Douranews
Brasil só consegue universalizar saneamento em 2054 Obra de drenagem e instalação de novas redes de coleta de esgoto é desafio para governantes — Foto: Douranews/Arquivo

O Brasil não vai conseguir universalizar o saneamento básico na primeira metade do século 21. Estudo elaborado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), feito a partir de dados secundários, projeta que apenas em 2054 todos os brasileiros terão direito a morar num local com água encanada e tratamento de esgoto.

“No ritmo atual, vai demorar muito para o Brasil ter a universalização, especialmente na coleta de esgoto, que é a coisa mais grave. 2054 a Deus pertence, está muito longe”, lamenta o gerente de Infraestrutura da CNI, Wagner Cardoso, responsável pelo estudo Burocracia e Entraves no Setor de Saneamento.

A data prevista pelo governo federal para a universalização é 2033, último ano do Plano Nacional de Saneamento Básico.

De acordo com o estudo da CNI, com base no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, 52,4% dos municípios da Região Norte têm água encanada e 6,5% têm rede para coleta de esgoto. O índice de tratamento do esgoto gerado na região é inferior a 15%. A média nacional é 82,5% de água encanada, 48,6% de coleta de esgoto e 39% de tratamento.

Diante do contexto de aumento de casos de dengue, febre chikungunya e vírus Zika, o gerente de Infraestrutura da CNI avalia que “custa muito caro não ter saneamento no país, principalmente nas internações hospitalares”. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), cada dólar gasto com saneamento básico economiza US$ 4,3 em gastos com saúde.

Desperdício

Além dos problemas de acesso ao saneamento, o estudo da CNI aponta o elevado índice de perda na distribuição de água. Em valores monetários, o desperdício e o roubo de água fazem com que de cada R$ 100 gastos para fornecer água, apenas R$ 63 sejam faturados pelas companhias de abastecimento. Segundo Wagner Cardoso, a água é perdida por causa da falta de junta nas tubulações, canos furados e uso de equipamentos velhos na distribuição.

A perda de água é ainda pior na Região Norte, onde mais da metade da água captada (50,8%) não chega aos domicílios, aponta o levantamento, conforme divulga a Agência Brasil.