Detectado o problema, cirurgia é procedimento rápido e eficaz, garantem médicos — Foto: Divulgação/Assessoria
Obrigatório por lei desde 2014, o teste da linguinha é um procedimento simples e que pode evitar diversos problemas que afetam o desenvolvimento do recém-nascido. No HU (Hospital Universitário) da Universidade Federal da Grande Dourados, além do diagnóstico, que é feito nas primeiras 48 horas de vida do bebê, é realizada a cirurgia reparadora, técnica simples e que impede que a criança tenha complicações futuras na fala e na alimentação.
A anquiloglossia (ou “língua presa”) é o posicionamento do frênulo (freio lingual) mais próximo da ponta da língua ou mais curto que o normal, tornando a membrana mais espessa. Essa anomalia, de nascença, limita os movimentos da língua do bebê e causa dificuldades na amamentação, o que, por sua vez, pode ocasionar problemas como desidratação e desnutrição.
No, o teste da linguinha é realizado pelas profissionais de Fonoaudiologia logo após o nascimento do bebê, como parte da triagem neonatal. O exame clínico consiste, primeiramente, na avaliação anatomofuncional: são checados a postura dos lábios em repouso, a tendência do posicionamento da língua durante o choro, a forma da ponta da língua quando elevada durante o choro e o frênulo lingual.
Se identificados indícios suficientes de que há problemas, é feita a avaliação funcional, onde a fonoaudióloga analisa a mamada, junto a uma anamnese com a mãe da criança (são realizadas perguntas sobre a rotina e dados pessoais do bebê e da família). A fonoaudióloga Daniela Bender Morandi, do HU, afirma que o teste é um procedimento rápido e simples e que pode evitar uma série de consequências danosas ao recém-nascido.
“A princípio, melhora a relação mãe-bebê, sendo que, se corrigidos os problemas, a amamentação será feita de forma adequada. E se a criança mamar bem no primeiro ano de vida, terá um desenvolvimento físico e emocional mais saudável, com melhor aproveitamento dos nutrientes e desenvolvimento da toda a estrutura óssea”, esclarece.
Ela enfatiza, ainda, que, a curto, médio e longo prazos, a anquiloglossia não diagnosticada e não tratada nos primeiros dias de vida pode acarretar um “efeito dominó” na saúde do paciente. “Pode haver falha na sucção mamária e mamada interrompida, o que vai levar a uma transposição precoce para a mamadeira, possibilitando infecções e alergias, além de má respiração. Também há o problema de pronúncia, que é identificado posteriormente”, alerta.
Cirurgia
Feito o teste, os casos que apontam indicação cirúrgica são, após o consentimento familiar, encaminhados ao cirurgião dentista do hospital, que é a pessoa responsável pelo procedimento. Maurício Hidemi Shimada, explica que esse é um processo bastante simples e que entre cinco e dez minutos depois da cirurgia, já é ofertada amamentação ao bebê. “A criança vai se adaptando aos movimentos adequados e consegue mamar com mais eficiência, além de podermos observar se há a presença de sangramento”, diz o profissional.
O diagnóstico da “língua presa” atinge cerca de 2.254 crianças a cada 10 mil nascimentos, de acordo com um estudo realizado em 2013 pela USP (Universidade de São Paulo) e chega a superar as patologias encontradas pelos testes do pezinho e da orelhinha, conforme divulga a assessoria do HU.