A evolução do quadro clínico não foi a única mudança na vida do menino de 4 anos, vítima de tortura em rituais de magia negra, durante os 11 dias em que está internado na Santa Casa de Campo Grande. Segundo a equipe médica do hospital, a criança que chegou arredia e calada agora se mostra mais amorosa.
"Hoje ele já contactua, sorri, já brinca, dá gargalhadas. Então, já apresenta outra postura diante das pessoas. É uma criança dócil, afetiva, carinhosa, que assiste televisão, tem brinquedos e fica acompanhada o tempo todo de uma cuidadora", afirmou a psicóloga Alexandra Nascimento. Ele virou homem-aranha depois de ganhar uma fantasia do personagem e um copo personalizado durante a visita de 'super-heróis' nesta quinta-feira (3).
O menino chegou no hospital com quadro de desnutrição e anemia importante, segundo a pediatra Patrícia Oto. Ele passou por uma transfusão sanguínea para suprir a carência de proteínas e teve dieta balanceada por conta da desnutrição. Durante o período, ganhou 2,3 kg.
A criança também tinha lesões oculares e úlcera de córnea esquerda, recebe tratamento com colírios e já teve evolução de 80% do quadro. A opacidade em uma das córneas também evoluiu satisfatoriamente, conforme a pediatra, mas ainda não é possível afirmar que a visão teve algum comprometimento. As infecções secundárias nas queimaduras por todo o corpo foram tratadas com antibióticos, mas as marcas ficaram na pele do garoto.
Ele ainda passou por drenagem cirúrgica para tratar o abcesso no pavilhão auricular e deve passar pelo mesmo procedimento mais uma vez antes da alta médica, nos próximos dias.
Apesar dos múltiplos ferimentos, a pediatra ressalta que a internação também teve caráter social para "investigação de criança e histórico médico desconhecido" da criança.
Caso tortura
Quatro pessoas estão presas por envolvimento nas agressões e tortura. O menino foi internado na Santa Casa no dia 23 de fevereiro, com queimaduras no rosto, fratura em um dos braços, ferimentos nos olhos e saco escrotal. Ele chegou ao hospital acompanhado da tia-avó, que justificou os ferimentos dizendo que a criança havia caído, segundo os médicos.