A Secretaria estadual de Saúde já confirmou duas mortes por H1N1 em Mato Grosso do Sul. Conforme o boletim epidemiológico divulgado quarta-feira (30), o segundo caso foi registrado em São Gabriel do Oeste, na região centro-norte do estado. A outra morte foi em Corumbá.
Além disso, são investigadas a morte de um bebê de 1 ano e 11 meses, residente de Itaporã, no sul do Estado, que morreu no dia 29 de março, um dia depois de ser internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) Pediátrica do HU da UFGD. Ele deu entrada com diagnóstico de pneumonia, foi entubado e colocado em isolamento. E há suspeita, ainda, de que o funcionário do jornal O Progresso, Expedito Frota, morto quinta-feira (31) em Dourados, tenha contraído a doença.
Conforme o levantamento da Saúde, em 2016 já foram confirmados cinco casos de influenza A, um em Aparecida do Taboado, Corumbá e São Gabriel do Oeste e dois em Campo Grande. O boletim ainda mostra 12 casos de isolamentos, sendo seis por H1N1 – Aparecida do Taboado (1), Campo Grande (2), Corumbá (1), Paranaíba (1) e São Gabriel do Oeste - e seis por H3N2 – nesse caso houve registro só na capital sul-mato-grossense.
Mais cedo
Neste ano, o H1N1 chegou mais cedo ao Brasil, castigando especialmente São Paulo. Tido como um mal do frio, até o fim do verão de 2016 ele já havia matado no País 28% a mais do que em todo o ano passado. Entre os paulistas a situação foi pior: quase três vezes mais fatalidades e 700% mais casos no mesmo período. Desta vez, a gripe veio antes provavelmente por dois motivos. Primeiro, porque pessoas contaminadas no hemisfério norte (onde é inverno) trouxeram a infecção, que se alastrou. Segundo, porque o número de vacinações em 2015 ficou abaixo do esperado, resultando em mais pessoas suscetíveis à doença. Mas pesquisadores conjecturam que até o fenômeno climático El Niño possa ter alguma culpa nessa história. “É uma surpresa enorme quando uma doença comum na época de frio começa tão precocemente”, diz o infectologista Marcos Boulos, professor da Universidade de São Paulo e coordenador de Controle de Doenças do estado.
O que mais tem preocupado é o grande número de mortes decorrentes do H1N1 este ano. Elas estão diretamente relacionadas ao aumento de casos, mas há outros fatores. A gripe é perigosa quando causa nos pacientes insuficiências respiratórias graves, que podem ser fatais. Normalmente, as maiores vítimas são idosos, diabéticos e cardiopatas. Ainda que esses grupos continuem sob risco, cerca de 50% das mortes em 2016 se deu entre adultos na faixa etária de 40 a 60 anos, parcela que normalmente está mais isenta e não é alvo costumeiro das campanhas de vacinação. “O H1N1 parece ser mais agressivo do que outros subtipos virais, com maiores possibilidades de provocar infecções graves” afirma o infectologista Francisco Ivanildo de Oliveira Júnior, supervisor médico do ambulatório do Hospital Emílio Ribas, de São Paulo.