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HU realiza primeira captação de córneas com equipe própria

12 de junho 2016 - 07h34 Por Redação Douranews
HU realiza primeira captação de córneas com equipe própria

O HU (Hospital Universitário) da Universidade Federal da Grande Dourados realizou, nesta semana, a primeira captação de córneas com uma equipe formada exclusivamente por profissionais da própria instituição. O procedimento foi efetuado terça-feira (7), em um paciente de 61 anos que foi a óbito em função de uma pancreatite.

Até o momento, em Mato Grosso do Sul, apenas profissionais de Campo Grande realizavam esse tipo de captação, sendo que a implantação do serviço de forma autossuficiente no HU estabelece Dourados como referência em retirada de córneas na macrorregião, conforme divulgou a assessoria do hospital.

“A possibilidade de realizar o procedimento com equipe própria agiliza o processo e permite que mais captações sejam efetivadas na região, com maior frequência, auxiliando o abastecimento do Banco de Olhos e diminuindo a fila de espera por transplantes de córneas no Estado”, afirma a médica intensivista Mirna Matsui, presidente da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante do HU.

Ela explica que a Comissão, criada em 2012, já realizou captações anteriormente, mas com a participação de profissionais da Capital, especializados na retirada de córneas. No entanto, vinha há meses se preparando para dar início à atividade, pois já conta com o treinamento em Enucleação Ocular, que é o nome técnico do procedimento.

“A administração do hospital tem incentivado muito o trabalho da Comissão, dando todo o suporte para que ações como a captação de córneas sejam feitas aqui mesmo, pelos nossos próprios profissionais”, esclarece Mirna.

O procedimento

Por ser um tecido, a córnea, diferentemente dos órgãos, pode ser captada até seis horas após o óbito, não havendo necessidade do diagnóstico de morte encefálica, como no caso de captação de múltiplos órgãos. O procedimento é simples e dura em média 40 minutos, não ocasionando efeitos estéticos indesejáveis ao doador.

Capacitada em Enucleação Ocular, a enfermeira intensivista e mestre em Educação, Cristiane de Sá Dan, explica que é necessário que o paciente tenha entre dois e 80 anos de idade e não apresente contraindicações como, por exemplo, enfermidades infectocontagiosas transmissíveis por meio do transplante.

Concluída a análise, se o paciente for considerado potencial doador, membros da Comissão fazem o contato com a família ou responsáveis, que precisam consentir a doação por escrito, na presença de duas testemunhas. Somente assim o paciente torna-se doador efetivo e dá-se início à retirada das córneas, que são transportadas até Campo Grande para serem avaliadas e preservadas pelo Banco de Olhos da Santa Casa e destinadas a um receptor, conforme a lista de espera.