Sebastião Nogueira diz que Município não aguenta mais pagar pela Saúde plena — Foto: Douranews
A situação crítica anunciada pelo HU (Hospital Universitário) e agora, também, pelo HVida (Hospital da Vida), o primeiro mantido pela UFGD e o segundo pela Prefeitura, ambos como parte do programa de gestão plena, pactuado com o Estado, só reforçam a “posição que tomamos de renunciar à gestão plena e solicitar a desabilitacão do município junto ao Ministério da Saúde”, afirmou nesta quinta-feira (30) o secretário municipal de Saúde, Sebastião Nogueira Faria.
Segundo ele, os problemas que se refletem também no funcionamento, em regime de porta aberta, da UPA (Unidade de Pronto Atendimento), que só recebe 50% do custo mensal para operação, por parte do Governo Federal [a Prefeitura aplica, mensalmente, cerca de R$ 700 mil nesse atendimento], já vem se arrastando há anos e agora chegou ao máximo do limite.
Sebastião Nogueira destaca o bom entendimento existente com o atula Governo, pelo relacionamento do governador Reinaldo Azambuja com o prefeito Murilo Zauith, mas, lembra que “existe um problema de anos”, que inviabiliza agora a permanência do serviço. A Secretaria de Saúde protocolou, no dia 14 passado, o pedido de desabilitação que está sendo analisado pelo Estado, através da Comissão Intergestores Bipartite.
O secretário de Saúde diz que se a falta de recursos persistir, o Município não vai ter como continuar oferecendo o atendimento a pacientes de pelo menos 32 municípios que vem em busca de socorro na cidade. Isso compreende uma população estimada em mais de 800 mil habitantes. Sebastião adverte, entretanto, que o Município não seria irresponsável de suspender o atendimento de forma abrupta.
“O atendimento ainda continua normal; nenhum paciente de fora está ficando sem atendimento ou senod encaminhado para a Capital, mesmo porque Dourados ainda não foi desabilitado como solicitado”, explicou o médico.
Sebastião lembra que, por não ser detentora de serviços próprios, a Secretaria de Saúde necessita de realizar a "compra" serviços de imagem e laboratoriais, das mais diversas clínicas da cidade, cujo valor desses procedimentos é sempre superior ao valor pago pela Tabela de Procedimento, Medicamentos e OPM do SUS (Sistema Único de Saúde. “O município de Dourados é obrigado a arcar com a diferença a ser paga, visto que, muitos valores definidos na Tabela do SUS são impraticáveis no mercado”, observa, em carta enviada à Comissão Bipartite, onde pede o descredenciamento do sistema de gestão plena.