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Infectologista diz que controle da tuberculose em presídios pode erradicar doença em MS

09 de maio 2017 - 22h07 Por Redação Douranews
Infectologista diz que controle da tuberculose em presídios pode erradicar doença em MS Pesquisadores da UFGD realizam trabalho de diagnóstico da doença com internos da PED — Assessoria

A superlotação no sistema prisional brasileiro causa danos, dentre os mais diversos, em toda a população. Com a quarta maior população carcerária do mundo, levantamento aponta que o índice de casos e tuberculose no país excede a 2.000 casos por 100 mil habitantes. E o Mato Grosso do Sul figura entre os estados com maior número de encarceramento, com 12.306 prisioneiros detidos em 37 instituições.

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal da Grande Dourados identificou que, no Estado, 20% dos novos casos de tuberculose ocorrem com pessoas privadas de liberdades. De acordo com o infectologista e professor da UFGD, Júlio Croda, coordenador do projeto “Estratégias para o controle da TB em prisões”, analisando pessoas que passaram pelo sistema prisional ou que tiveram contato com alguém que se encontrava nele, chegou-se no resultado de uma população de 14 mil pessoas privadas de liberdade podendo influenciar nos indicadores da doença.

“Isso significa que, se controlarmos a tuberculose nessa população de risco, que é pequena, quando comparada aos 2,5 milhões de habitantes do Estado, poderemos eliminar a doença e atingir a meta da Organização Mundial da Saúde”, defende o pesquisador.

A principal causa da proliferação da doença é a superlotação dos estabelecimentos penais. Foi publicada, recentemente, uma análise evidenciando que, apesar das condições de construção desses estabelecimentos favorecerem a circulação de ar, a superlotação por si só leva ao aumento da transmissão, da incidência e impacta significativamente nos indicadores estaduais. Os estudos iniciais sugerem que mais de 50% da transmissão da doença em Dourados e Campo Grande estão relacionadas aos presídios.

Ainda de acordo com Julio, o quadro vem se intensificando nacionalmente e, com a crise econômica, aumento da pobreza e diminuição dos investimentos na construção de novos estabelecimentos penais, este cenário só tende a piorar.

Diante desse quadro, a melhor estratégia – segundo ele - é o diagnóstico precoce e, com isso, a interrupção da transmissão da doença para outras pessoas. Nesse sentido, levar à população prisional os serviços de saúde relacionados ao diagnóstico, como o novo teste rápido molecular que permite o diagnóstico em 2 horas, e a radiografia de tórax digital, vai contribuir para diminuir o tempo que uma pessoa com tuberculose demora para ter o diagnóstico, bem como as taxas da doença nesses locais, que são ideais para a transmissão da doença.

Para isso, ao longo dos últimos três anos, foi construída na UFGD uma unidade móvel para realizar triagens anuais nos estabelecimentos penais de Dourados e Campo Grande. Dessa forma, cerca de 5 mil pessoas privadas de liberdade terão acesso, nos próximos 4 anos, a exames de raio-x de tórax e teste molecular para M. Tuberculosis. A princípio, o público-alvo será a população da PED (Penitenciária Estadual de Dourados) e do Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho (de Campo Grande), as duas maiores prisões do Mato Grosso do Sul e que concentram os maiores números de casos notificados de tuberculose.

Para o desenvolvimento da pesquisa, a UFGD tem a colaboração da Universidade de Stanford, na figura do professor Jason Andrews, que ajudou a captar recursos via financiamento do National Institutes of Health/Stanford University (EUA). A parceria permitirá contratar colaboradores e custear todos os procedimentos envolvidos na oferta de mais de 20 mil exames para essas populações ao longo dos 4 anos. Também colaboram com o projeto os professores Simone Simionatto e Fabio Juliano Negrão, ambos da UFGD.