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Saúde

Em publicação de 2005, revista já alertava que novo vírus poderia surgir na China

30 de janeiro 2020 - 12h58 Por Redação Douranews
Em publicação de 2005, revista já alertava que novo vírus poderia surgir na China Uma das imagens que ilustram capa da publicação da revista Despertai, alertando para insegurança mundial — Reprodução

Em 1997, um cientista e mais quatro ajudantes esquimós desenterraram o corpo de uma jovem da camada de terra congelada no povoado de Brevig, na península Seward, no Alasca. Ela estava lá desde 1918, quando caiu vítima de uma gripe. Com a decisão de examiná-la depois de morta, o cientista esperava que o agente causador da gripe ainda estivesse em seus pulmões e que, por meio de técnicas genéticas avançadas, pudesse ser isolado e identificado.

“Por que esse conhecimento pode ser útil? Para responder, precisamos entender um pouco mais sobre como os vírus funcionam e o que os torna tão perigosos”, já alertava, em uma publicação de dezembro de 2005, a revista Despertai, editada pelas Testemunhas de Jeová e que hoje atinge a distribuição mundial de quase 100 milhões de exemplares.

“Atualmente sabemos que a gripe, ou influenza, é causada por um vírus que pode espalhar-se por meio de secreções respiratórias expelidas por tosse, espirro ou ao conversar e que o vírus está presente no mundo inteiro, até mesmo nos trópicos, onde pode manifestar-se em qualquer época do ano. No Hemisfério Norte, o período de maior ocorrência da gripe é de novembro a março; e no Hemisfério Sul, de abril a setembro”, relembrava a publicação.

O vírus influenza tipo A, o tipo mais perigoso, é pequeno em comparação com outros vírus. Geralmente é esférico, com algumas saliências na superfície. Quando o vírus infecta uma célula humana, se reproduz tão rápido que, em cerca de dez horas, entre 100 mil e 1 milhão de novas “cópias” do vírus rompem a célula e saem.

Segundo muitos especialistas, a questão não é se um vírus violento vai retornar mas sim, quando e como isso vai acontecer. De fato, alguns estimam que um surto relativamente grande de influenza aconteça a cada 11 anos, e um surto severo, a cada 30 anos aproximadamente. De acordo com essas estimativas, o prazo para o surgimento duma nova pandemia já se esgotou.

Observe a publicação destacada aqui em negrito

A revista médica Vaccine noticiou em 2003: “Já se passaram 35 anos desde a última pandemia de influenza, e o período mais longo já registrado com precisão entre duas pandemias é de 39 anos”. O artigo acrescentava, há 14 anos: “O vírus causador da pandemia pode surgir na China ou num país vizinho e incluir antígenos e características de virulência provenientes de vírus que atacam animais”.

A revista previu acerca do vírus: “Ele vai se espalhar rapidamente pelo mundo todo. Acontecerão várias ondas de infecção. A morbidade será abrangente em todas as idades e haverá interrupção de atividades sociais e econômicas em todos os países. A enorme mortalidade será evidente na maioria das faixas etárias, para não dizer em todas. É improvável que os sistemas de saúde consigam lidar adequadamente com a demanda por assistência médica, mesmo nos países mais desenvolvidos em sentido econômico”.

Até que ponto esse quadro é alarmante? John Barry, autor do livro The Great Influenza (A Grande Influenza), fornece a seguinte descrição: “Um terrorista com uma arma nuclear em mãos é o pesadelo de todo líder político; uma nova pandemia de influenza também deveria ser”.

Há tratamentos disponíveis?

Mas, nesse caso, há tratamentos eficazes atualmente?, perguntava a publicação da época. A resposta a essa pergunta traz boas e más notícias. Os antibióticos podem diminuir a mortalidade causada por pneumonias bacterianas secundárias, e certas medicações podem ser eficazes contra alguns tipos de gripe. Há vacinas que podem ser úteis no combate ao vírus da gripe se ele for identificado corretamente e se a vacina for produzida a tempo. Essas são as boas notícias. E, as más?

A história das vacinações contra gripe — desde o controverso e infeliz episódio da gripe suína, em 1976, à falta de vacinas em 2004 — não tem sido muito boa. Embora a medicina tenha avançado muito desde a Primeira Guerra Mundial, os médicos ainda não conhecem nenhuma cura para um vírus poderoso. Assim, surge a inquietante pergunta: O que aconteceu em 1918-19 poderia se repetir? Veja o que o Instituto Nacional de Pesquisas Médicas, de Londres, diz: “Em certos aspectos, as condições do mundo ainda são como eram em 1918: enorme volume de viagens internacionais por causa do desenvolvimento dos meios de transporte; várias zonas de guerra com os inerentes problemas de desnutrição e higiene precária; crescimento da população mundial, que chegou a 6,5 bilhões, com uma proporção maior vivendo em cidades, muitas delas com infra-estrutura decadente para eliminação de lixo”. Por isso, um respeitado especialista americano conclui: “Em termos simples, a cada ano que passa, estamos mais perto da próxima pandemia”.