mosquito dengue
Antes mesmo da chegada do verão, período em que as doenças provocadas pelo Aedes aegypti atingem seu ápice, o Mato Grosso Sul já apresenta índices preocupantes. Segundo dados atualizados nesta quinta-feira (11), já foram notificados 11.201 casos no estado e 13 mortes confirmadas. A incidência é de 399,6 para cada 100 mil habitantes, a quinta maior no país. Em Dourados, há 96 casos de contaminação notificados e o último registro de óbito pela doença ocorreu no dia 14 de maio na cidade.
A situação é considerada alta, o que se repete em 25 municípios. O maior número de casos confirmados foi registrado em Três Lagoas (1.737), seguido por Corumbá (1.576), porém, por causa da pandemia da Covid-19, todos os estados apresentam subnotificação para as arboviroses devido a uma baixa procura pelos hospitais. Mesmo assim, o Centro-Oeste é a região que apresenta a maior taxa de incidência de dengue no país este ano.
Por conta dessa situação, a Secretaria estadual de Saúde já anunciou a realização da Campanha de Enfrentamento à Dengue, Chikungunya e Zika. Para este ano, estão programadas diversas ações de conscientização como webnários, visitas técnicas a municípios, lançamento da 3ª etapa do sistema e-Visitas, início da nova fase do programa da Wolbachia LDO –liberação de ovos, além do Dia “D” de combate às Arboviroses que acontece no dia 20 de novembro.
Para o secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, a população não deve se descuidar do Aedes aegypti. “É preciso lembrar que a Dengue e as demais arboviroses têm feito vítimas em nosso Estado, por isso, o lançamento desta campanha. Os cuidados devem continuar e a proposta do ‘Dia D’, assim como as demais ações, como a semana de conscientização das arboviroses de 16 a 20 de novembro, são importantes ferramentas de engajamento de toda a comunidade. Não podemos baixar a guarda para o mosquito”.
Com o início da temporada das chuvas, o perigo da multiplicação dos Aedes aegypti é enorme. Isso porque, após aproximadamente 15 horas da postura, os ovos dos mosquitos conseguem resistir a longos períodos de baixa umidade, podendo ficar até 450 dias no seco.
Campanhas de conscientização e aspersão de veneno são os caminhos básicos, mas sem resultados permanentes a curto prazo. Pesquisas com material genético e estudo do ambiente são algumas alternativas. A biotecnologia já tem respostas assertivas, comprovadas e sem agredir o ambiente ou expor a comunidade a riscos.
O Projeto Controle Natural de Vetores, desenvolvido pela Forrest Brasil Tecnologia, com o trabalho de cientistas brasileiros e israelenses, se mostrou eficiente. Em Ortigueira (PR), numa parceria com a empresa Klabin e o município, a ação já comprovou seus melhores resultados no Paraná. Implantado em novembro de 2020, em seis meses, a redução foi de 92% da população local de mosquitos. O número de pessoas doentes também caiu, de 120 para 4, quase 97%. Não foram registradas mortes.