Hospital da Missão é só uma ponta do atendimento — Douranews
“Matéria requentada, vira e mexe eles retomam esse mesmo assunto”. Assim o reverendo Geraldo Silveira Filho, da IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil) sediada em Belo Horizonte, e presidente da Missão Evangélica Caiuá, cujo escritório central funciona em Dourados, definiu a nova onda de ataques que a instituição vem recebendo por conta dos convênios firmados para o atendimento à saúde indígena no País, em entrevista ao Douranews.
A Missão vem sendo responsabilizada pela onda de mortes apuradas em recente levantamento feito junto a Terra Yanomami, em Roraima, na divisa do Brasil com a Venezuela, onde, segundo dados do Ministério da Saúde, 570 crianças com menos de 5 anos de idade morreram por causas evitáveis durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ONG recebeu R$ 872 milhões durante os quatro anos do governo passado como parte do Programa de Proteção e Recuperação da Saúde Indígena.

“Nosso convênio é desde 2010, eu só não sei porque o Zeca do PT bate tanto na gente, o Mandetta [primeiro ministro da Saúde no Governo Bolsonaro] também começou a gestão no mesmo tom, só que eles nunca divulgaram que tratam-se de nove convênios, e que atendemos não só os yanomamis, mas o Mato Grosso do Sul, o Acre, o Amazonas, Roraima e a Gestão do DSEI, e que esse valor é por quatro anos para administrar a estrutura de RH (Recursos Humanos) de cada um desses convênios”, informou o reverendo Geraldo.
Segundo o presidente da Missão Caiuá, “é só fazer as contas” que os que criticam a participação da instituição verão que esse trabalho substitui, com muito mais competência e eficiência, a forma anterior de repasse de verbas que era feita diretamente do Ministério da Saúde para as prefeituras, por exemplo, e que acabavam se perdendo pelo meio do caminho. Ele lembrou dificuldades enfrentadas entre os anos de 2017 a 2020 em Dourados, por conta dos atrasos nos repasses para o atendimento que é realizado no hospital Portal da Esperança.

Hospital atende crianças indígenas há 60 anos em Dourados
Geraldo Silveira Filho convidou, inclusive, as autoridades do Estado e mesmo do Município, “muitos que não conhecem o nosso trabalho”, a visitarem a Missão Caiuá e ver o que é feito no atendimento às crianças e famílias indígenas. “Não entramos nisso por acaso, fomos chamados depois que erradicamos a malária e reduzimos os índices de tuberculose entre as crianças indígenas de 19 para 2,7 casos a cada 100 habitantes e nunca deixamos de prestar um atendimento mesmo quando ficamos com os repasses atrasados”.
A Missão Evangélica Caiuá mantém um convênio que durante 10 anos pagava em torno de R$ 12 mil mensais para manter o hospital de portas abertas para atender a baixa complexidade pelo SUS, o Sistema Único de Saúde e só agora, conforme o presidente, depois da intervenção do então deputado Barbosinha, atual vice-governador de Mato Grosso do Sul, “conseguimos uma emenda para equipar o nosso laboratório com material adequado à realização de exames de ponta e vamos elevar o repasse para a Atenção Indígena a R$ 35 mil por mês”.