Júlio Croda diz que não dá pra baixar a guarda — Ag Brasil/Wilson Dias
Uma nova subvariante EG.5 é apontada como uma das causas da nova onda de casos de Covid-19 no Brasil, devido a sua alta transmissibilidade. Para o infectologista e pesquisador da Fiocruz (a Fundação Oswaldo Cruz), professor e médico de carreira da UFGD Julio Croda, o baixo índice de vacinação da bivalente e as quedas na testagem para a Covid dificultam o controle epidemiológico e aumentam a circulação de novos vírus no Mato Grosso do Sul e em todo o país.
“No Brasil é importante entender que é muito difícil identificar um claro aumento de casos. As pessoas não se testam mais e os sistemas de vigilância não capturam adequadamente esses testes positivos. Mas observamos principalmente nos dados do Instituto Todos Pela Saúde, dos laboratórios privados, que existe um aumento da positividade dos exames laboratoriais. Ou seja, existe mais circulação viral no Brasil e isso provavelmente está relacionado a novas subvariantes”, explicou o infectologista.
Conforme a última semana epidemiológica publicada no dia 29 de agosto, pela Secretaria estadual de Saúde, não foi apresentada curva ascendente de novos casos. Foram 137 novos casos e dois óbitos na última semana, conforme reproduz o jornal Correio do Estado.
Mas, o infectologista reforça o momento de cautela e preocupação diante da nova cepa que é altamente transmissível, atrelado ao baixo interesse da população em se vacinar.
“Sempre estamos reforçando, a partir do momento que a pandemia acabou, que se deve manter o esquema vacinal atualizado. Nós temos baixa cobertura da vacina bivalente em todo o Brasil e no estado do Mato Grosso do Sul não é diferente. É importante que nesse momento de maior circulação do vírus do Covid-19 e da nova subvariante da Ômicron: a EG.5, que a população compareça às unidades de saúde e atualize o seu esquema vacinal”, recomendou Croda.
Sobre a nova variante, o infectologista garante que a atual vacina bivalente, disponível no SUS, também é capaz de reduzir a evolução de casos mais graves em pessoas positivadas com a nova cepa. “A vacina que nós temos disponível neste momento é a vacina bivalente. Ela contém a cepa original e a cepa da Ômicron. A EG.5 é uma subvariante, sendo assim, a vacina bivalente continua protegendo principalmente para a redução de hospitalização e óbito”, afirmou Croda.
Nova variante Éris
O Ministério da Saúde confirmou no dia 17 de agosto, o primeiro caso da variante EG.5, apelidada de Éris, variante da Covid-19. Desde então, o novo vírus já foi confirmado em São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal.
“A nova variante EG.5 pode ser uma das responsáveis pelo aumento de positividade nos exames da rede privada de laboratório no Brasil. Ela tem maior escape de resposta imune, maior transmissibilidade”, explica o pesquisador Julio Croda.