Buscar quarta-feira, 2 de setembro de 2026
(67) 99913-8196
Dourados
15°C
REVELAÇÃO

'Devolvemos carretas de vários insumos na pandemia', conta Alan

Prefeito diz que foi preciso enfrentar desafio para organizar a Saúde

27 de fevereiro 2024 - 11h46 Por Redação Douranews
'Devolvemos carretas de vários insumos na pandemia', conta Alan Prefeito Alan Guedes e a assessora da Fiocruz, Dinaci Ranzi — Douranews

O prefeito Alan Guedes (PP) aproveitou o lançamento do projeto InovaAPS (Laboratório de Inovação na Atenção Primária à Saúde) que o Município vai desenvolver por meio de convênio firmado com o Ministério da Saúde e a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) para fazer um relato dos desafios assumidos a partir de 2021 e das soluções encontradas para chegar até os dias atuais, passados pouco mais de três anos de mandato.

“Quando assumimos, em 2021 a Covid já dava sinais de que teríamos uma pandemia mundial, mas o período mais duro do mandato foi em junho e julho, uma loucura, o mercado de insumos começou a não entregar mais material, ficou difícil até de colocar médicos nas unidades de saúde...”

O Douranews acompanhou o ato realizado na manhã desta terça-feira (27) no PAM

Agora, por esse programa, a previsão do convênio é de passar dos atuais 40 médicos que atuam na Atenção Primária para 63 profissionais. Especialidades como psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, dentistas e enfermeiros das equipes multiprofissionais vão fazer Residência por dois anos, recebendo uma bolsa de estudos “e a gente espera ter formado 31 especialistas por ano para poder fixar na nossa rede pública”, anunciou o prefeito. O convênio prevê repasse anual de R$ 14 milhões para as ações.

Com o InovaAPS, Dourados é o terceiro município do país a fazer parte do programa, o primeiro fora das capitais, casos do Rio de Janeiro e Campo Grande. A Secretaria de Saúde ainda vai estender o horário de atendimento em quatro unidades de saúde para 12 horas ininterruptas, entre às 7 e 19 horas. Nesta lista estão as UBSs dos bairros Jóquei Clube, Ildefonso Pedroso, Jardim Maracanã e Parque do Lago II.

De acordo com o prefeito, no período mais agudo da pandemia da Covid-19 o Município se deparou com outro desafio: a necessidade de requalificar o salário dos profissionais da saúde mediante a recomposição do teto remuneratório de servidores da Prefeitura. “Não tem resposta fácil para problema difícil, eu tive que tomar a decisão, e decidi pela recomposição do teto, a partir daí não tivemos mais problemas de falta de médicos”.

-  A gente teve crise de remédios, os laboratórios participam de grandes certames, mas não querem vender remédio barato. Ninguém quer vender novalgina, e a gente não pode ir na farmácia e comprar, tem que licitar. Faltava gaze no PAM, nas unidades, mas aqui a gente chegou a devolver carretas cheias de insumos porque o que chegava não era o que tínhamos comprado, revelou.

Alan Guedes ainda fez um histórico da desorganização que predominava no sistema. “O estoque era feito em folhas de papel, não tinha controle, a gente não sabia o que tinha sido entregue e nem como estava sendo utilizado, tinha soro sobrando em alguns postos de saúde e outros com falta, enquanto unidades de saúde tinham caixas com frascos guardados em outros locais faltava. Hoje o pedido é encaminhado pelo sistema, você a foto do insumo que está precisando, tem controle”, garantiu.

Qualificar é o foco

Secretário Waldno Lucena agradece parcerias para implantação de programa

O secretário municipal de Saúde, Waldno Lucena Junior, disse que o programa vai permitir a qualificação profissional, ampliação de acesso, aumento de cobertura, formação de especialistas e revelou que tinha um sonho: “Como professor do curso de Medicina da UFGD, ajudei a formar colegas que hoje trabalham comigo, mas precisamos de mais gente”. O convênio já funciona no Rio de Janeiro e em Campo Grande, onde os resultados são conhecidos.

A assessora da Fiocruz, Dinaci Ranzi [que já foi vice-prefeita de Dourados na gestão do prefeito Murilo Zauith, entre 2011-12 e superintendente do HU na UFGD], disse que esse é um momento bastante oportuno para a implantação do programa que visa elevar a qualidade de saúde nos municípios.

“Em Campo Grande já temos uma Residência bastante robusta, e aqui o programa não foi acolhido pelo Município [em gestões anteriores], o que foi uma pena, mas o que garante a resolutividade é que CG estava em 26º. lugar entre as capitais e com a chegada do projeto passou a configurar entre as nove capitais. Temos lá nove estruturas, e as 30 ESFs (Estruturas de Saúde da Família) só encaminham para a Atenção Secundária e Terciária 8%”, observou ela.