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Moraes suspende resolução do CFM contra o aborto

Ministro do STF diz que Conselho não tem poder de regulamentar

19 de maio 2024 - 09h41 Por Com Agência Brasil
Moraes suspende resolução do CFM contra o aborto Alexandre de Moraes vê 'abuso' em decisão do CFM — Divulgação

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou na sexta-feira (17) a suspensão da resolução aprovada pelo CFM, o Conselho Federal de Medicina, para proibir a realização da chamada assistolia fetal para interrupção de gravidez. O procedimento é usado pela Medicina nos casos de abortos previstos em lei, como o caso de estupro.  

A decisão de Moraes foi motivada por uma ação protocolada pelo Psol. Em abril, a Justiça Federal em Porto Alegre suspendeu a norma, mas a resolução voltou a valer após o TRF (o Tribunal Regional Federal) da 4ª Região derrubar a decisão.

Na decisão, o ministro considerou que houve "abuso do poder regulamentar" do CFM ao fixar regra não prevista em lei para impedir a realização de assistolia fetal em casos de gravidez oriunda de estupro.

Moraes também lembrou que o procedimento só pode ser realizado pelo médico com o consentimento da vítima. "O ordenamento penal não estabelece expressamente quaisquer limitações circunstanciais, procedimentais ou temporais para a realização do chamado aborto legal, cuja juridicidade, presentes tais pressupostos, e em linha de princípio, estará plenamente sancionada", concluiu.

Ao editar a resolução, o CFM entendeu que o ato médico da assistolia provoca a morte do feto antes do procedimento de interrupção da gravidez e decidiu vetar o procedimento.

“É vedada ao médico a realização do procedimento de assistolia fetal, ato médico que ocasiona o feticídio, previamente aos procedimentos de interrupção da gravidez nos casos de aborto previsto em lei, ou seja, feto oriundo de estupro, quando houver probabilidade de sobrevida do feto em idade gestacional acima de 22 semanas”, definiu o CFM.

Após a publicação da resolução, a norma foi contestada por diversas entidades