Novas cepas espalham variantes da Covid pelo mundo — Gettyimage
A chegada de uma nova variante da Covid-19 reacende o alerta para uma possível alta de casos em todo o Brasil. A cepa, identificada como Stratus (XFG), ainda não foi detectada em Mato Grosso do Sul, mas preocupa autoridades de saúde por seu alto potencial de transmissibilidade. No Brasil, a variante foi detectada em São Paulo e no Ceará, com 2 e 6 casos, respectivamente.
O principal sintoma da variante XFG é a rouquidão, causada por ressecamento e irritação na garganta, alterando a voz dos pacientes. Além disso, a cepa provoca sintomas semelhantes aos da primeira onda da pandemia, como falta de ar, perda de olfato e paladar, e redução do apetite, conforme estudo do Centro Médico da Universidade de Nebraska (EUA).
Até junho, haviam sido identificadas 1.648 sequências da XFG em 38 países.
O médico Júlio Croda, infectologista da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), e ex-diretor do curso de Medicina na UFGD de Dourados, explica que a variante XFG surgiu da recombinação entre duas linhagens, a LF7 e a LP812, e já está entre as cepas recomendadas para atualização das vacinas contra a Covid-19.
“A OMS (Organização Mundial de Saúde) classificou essa nova cepa como uma variante sob monitoramento. Ela surgiu na Índia e vem se espalhando para outras regiões do mundo, estando presente em mais de 38 países. No Reino Unido, por exemplo, já representa cerca de 30% das variantes sequenciadas de Covid-19”, destaca.
A disseminação da XFG
Outro ponto de atenção é a capacidade da XFG de escapar da imunidade adquirida em infecções anteriores, aumentando o risco de reinfecção. Apesar da rápida disseminação, o infectologista tranquiliza: não há evidências de que a XFG cause formas mais graves da doença ou aumento da mortalidade. Os sintomas relatados até o momento são leves, com destaque para maior incidência de rouquidão e irritação na garganta.
“As vacinas atuais continuam eficazes contra essa variante. No entanto, devido às mutações, ela apresenta certo escape da resposta imunológica, o que facilita sua transmissão. Isso ocorre porque boa parte da população tem uma resposta imune deficitária frente a essa nova cepa. Ainda assim, não há qualquer associação com maior gravidade”, afirma Croda.
Em Mato Grosso do Sul ainda não houve o registro de nenhum caso parecido com esse, informa a Secretaria estadual de Saúde.A pasta segue com o monitoramento contínuo dos casos de Covid registrados, que neste ano já chegam a 2.737 confirmações, com 35 mortes.