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Atendimento pioneiro é realizado nas aldeias de Dourados

Serviço especializado interliga hospital e paciente a 9 km

27 maio 2026 - 07h21Por Com Assessoria

Após meses de estruturação, testes e treinamento das equipes de saúde, o HU (Hospital Universitário) da UFGD realizou o primeiro atendimento especializado por telessaúde voltado às comunidades que habitam as aldeias indígenas da RID (a Reserva Indígena de Dourados) dentro da rotina assistencial do projeto.

A teleinterconsulta foi realizada entre a Unidade Básica de Saúde Indígena (UBSI) da Aldeia Bororó e o HU-UFGD, com o paciente acompanhado presencialmente pela equipe da atenção básica indígena local e suporte remoto de médico especialista do hospital.

A iniciativa integra o projeto de telessaúde do hospital integrante da Rede HU Brasil, e busca ampliar o acesso à atenção especializada sem necessidade de deslocamento até a cidade. O atendimento especializado foi conduzido na sexta-feira (22) pelo médico endocrinologista Rafael Domingues de Moraes, por meio da plataforma de teleatendimento.

A UBSI da Aldeia Bororó e o HU-UFGD estão localizados a cerca de nove quilômetros de distância dentro do município de Dourados, o que reforça o papel da telessaúde na redução de deslocamentos para atendimento especializado.

Segundo o chefe da Unidade de e-Saúde do HU-UFGD, André Rogério da Silva, que acompanhou a teleinterconsulta, a dinâmica do atendimento ocorreu de forma integrada entre as equipes da saúde indígena e do hospital. “O paciente foi acolhido e acompanhado presencialmente pela equipe da UBSI, enquanto o atendimento especializado foi realizado remotamente por meio da plataforma de teleatendimento. Durante a teleconsulta, houve interação entre os profissionais da unidade e o médico especialista do hospital, permitindo discussão clínica, avaliação do caso e definição conjunta das condutas necessárias”, explicou.

Para André Rogério, a experiência demonstrou o potencial da iniciativa para fortalecer ainda mais o cuidado especializado nos territórios indígenas. “A avaliação da teleinterconsulta foi bastante positiva. A experiência demonstrou viabilidade técnica, boa articulação entre as equipes envolvidas e potencial significativo da telessaúde como ferramenta de ampliação do acesso ao cuidado especializado. Além disso, evidenciou a importância da utilização da tecnologia para fortalecimento da assistência em saúde nos territórios indígenas, promovendo maior acessibilidade, continuidade do cuidado e apoio às equipes locais”, afirmou.

A proposta é que as teleinterconsultas ocorram a partir de solicitações das duas UBSIs do território indígena, de acordo com as demandas identificadas pelas equipes de saúde nas aldeias.

Telessaúde indígena

O projeto “Telessaúde como Ferramenta de Expansão da Conectividade e Acessibilidade ao Sistema Único de Saúde (SUS) em Território Indígena” é desenvolvido pela Unidade de e-Saúde, da Gerência de Ensino e Pesquisa, em parceria com o Comitê de Saúde Indígena do HU e a Sesai, a Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde. A iniciativa foi lançada em julho de 2025 após contemplação por meio de edital da Fundect (a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul), com investimento de R$ 80 mil destinados à compra de equipamentos e ampliação da equipe.

A iniciativa foi construída a partir do diálogo com lideranças indígenas, profissionais de saúde e instituições parceiras, com o objetivo de garantir atendimento humanizado, acessível e culturalmente sensível às comunidades indígenas da Reserva Indígena de Dourados –  formada pelas aldeias Jaguapiru e Bororó e considerada uma das maiores reservas indígenas em área urbana do país.

Desde o anúncio do projeto, em 2025, o HU-UFGD vem estruturando a implantação do serviço. Em outubro do ano passado, foram entregues os equipamentos que viabilizam os atendimentos nas duas unidades básicas de saúde das aldeias. Entre os itens instalados nas unidades de saúde estão computadores, monitores, webcams, headsets e equipamentos clínicos utilizados durante as teleconsultas e teleinterconsultas.

Treinamento

Em dezembro do ano passado, o hospital promoveu treinamento com cerca de 30 profissionais do DSEI-MS (Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul), envolvendo médicos, enfermeiros e farmacêuticos, além de integrantes do Comitê de Saúde Indígena, da Unidade de e-Saúde e da Unidade de Sistemas de Informação e Inteligência de Dados do HU da UFGD.

Durante a capacitação, os participantes receberam treinamento para utilização dos equipamentos que passaram a integrar a estrutura das aldeias, como eletrocardiógrafos, oxímetros de pulso, esfigmomanômetros e estetoscópios adultos e infantis.

O chefe da Unidade de Sistemas de Informação e Inteligência de Dados do HU e coordenador do projeto, Junior Eduvirgem, destacou que os equipamentos representam um avanço inédito para o atendimento dentro da reserva indígena. “Participaram desse treinamento os profissionais de saúde do DSEI, Comitê de Saúde Indígena, da Unidade de e-Saúde e da Unidade de Sistemas de Informação e Inteligência de Dados do HU-UFGD. Até então, esses equipamentos não eram utilizados na aldeia. Eles podem funcionar com conexão e atender ao serviço no atendimento aos indígenas ou ajudar na consulta por telemedicina", explicou.