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Dia Mundial

Fonoaudióloga explica cuidados com a voz desde nascimento

Profissional orienta e reforça alertas da impressão digital sonora

16 abril 2026 - 07h58Por Assessoria

Esta quinta-feira (16 de abril) é o Dia Mundial da Voz, uma data dedicada a conscientizar sobre a importância da saúde vocal e os cuidados necessários para preservar esse instrumento fundamental de comunicação. Para a fonoaudióloga Daniela Bender Morandi, do HU (o Hospital Universitário) da Universidade Federal da Grande Dourados, a voz é um espelho das emoções que reflete a saúde e a identidade.

A profissional de saúde explica que a produção de som na laringe requer musculatura adequada e habilidade, que começam a ser adquiridas ao nascer. Desde o nascimento, o bebê, ao respirar e mamar, inicia um processo fisiológico que coordena a sucção, respiração e deglutição. Essa função, inicialmente reflexa, transforma-se em comportamento aprendido, fortalecendo o organismo e promovendo o crescimento crânioencefálico, a musculatura esquelética e a organização neurológica das funções orais.

“A amamentação com boa performance no primeiro ano de vida é crucial para um desenvolvimento harmônico e funcional. Ela prepara o indivíduo para a introdução alimentar, a mastigação adequada e, fundamentalmente, para a fala. Juntamente com um sistema auditivo íntegro e estimulações globais, a linguagem oral é adquirida, estabelecida e ampliada, culminando no letramento e na aprendizagem da leitura e escrita”, explica Daniela Bender Morandi.

As características da voz mudam ao longo das diferentes faixas etárias devido a variações na estrutura histológica, anatômica e neurológica. No bebê, por exemplo, o choro, a voz, embora primitivo, já comunica. As mães são capazes de reconhecer as demandas dos filhos (dor, fome, sono) através das nuances da emissão sonora, pois somos capazes de identificar emoções por meio da intensidade, frequência e ritmo da voz.

“A voz reflete não apenas as emoções, mas também a saúde da nossa laringe, perceptível através do feedback auditivo durante um diálogo. Fortalecer o corpo como um todo, com a aquisição de musculatura, massa magra, é importante para a prevenção de condições como a disfagia por sarcopenia e as presbifonias, que afetam a voz em idades mais avançadas”, salienta a fonoaudióloga.

Disfonia: um sinal de alerta

A disfonia é a alteração na qualidade da voz, manifestando-se como rouquidão, alteração da qualidade vocal ou mudanças na frequência vocal. O tratamento varia conforme a causa, que pode ser orgânica (doença de base), funcional (uso incorreto da voz) ou uma combinação de ambas. Em casos de lesões orgânicas, o tratamento pode envolver medicamentos ou cirurgia, enquanto padrões vocais incorretos são corrigidos através de técnicas personalizadas em fonoterapia.

“É crucial estar atento aos sinais do corpo. Uma rouquidão que persiste por mais de 15 dias deve ser investigada, pois pode ser indicativo de lesão cancerígena em região de cabeça e pescoço. Conhecer o funcionamento do nosso corpo e procurar ajuda profissional quando algo não vai bem é um passo importante para a saúde vocal e geral”, afirma Daniela.

Profissional abrangente

A fonoaudióloga Daniela Bender Morandi destaca que o fono é um profissional da saúde que integra o fazer pedagógico (conduzir o indivíduo ao aprendizado), o psicológico (considerando as emoções que a voz humana espelha) e o componente biológico (o corpo) de forma ampla, garantindo um tratamento individualizado e customizado para cada paciente, visando a melhora do quadro e a reabilitação funcional. “Cuidar da voz é cuidar da nossa capacidade de expressão, de conexão e de saúde. No Dia Mundial da Voz, somos lembrados da importância de valorizar e proteger esse dom tão singular”, comenta a profissional.