Em um flash de pouco mais que 3 segundos, o paraplégico Juliano Pinto, de 29 anos, usando uma veste robótica que seria comandada pelo cérebro, moveu o pé direito e deu um pequeno chute em uma bola de futebol durante a cerimônia de abertura da Copa do Mundo, nesta quinta-feira (12), em São Paulo. Antes do espetáculo musical que apresentou a faixa-título da Copa, a demonstração esperada desde 2011 por paraplégicos de todo o mundo e que consumiu 33 milhões de reais, boa parte vinda do governo federal, foi vista apenas de relance.
Em pé, Juliano, vestindo a estrutura metálica que pesa 70 quilos e apoiado por duas pessoas, mostrou o resultado do trabalho de 156 cientistas de 25 países que, liderados pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, viabilizaram a demonstração no início do campeonato.
O esperado era que um paraplégico, usando o exoesqueleto, levantasse da cadeira de rodas, desse alguns passos no gramado e então chutasse a bola para dar início aos jogos. Nicolelis, cientista da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, lançou o projeto Andar de Novo para fazer uma veste robótica de metal leve que leria os sinais elétricos emitidos pelo cérebro de um paraplégico e faria com que ele andasse. Por meio de um sistema chamado interface cérebro-máquina (na sigla ICM), os sinais enviados pelo cérebro seriam captados por uma touca repleta de eletrodos de eletroencefalograma (EEG) e enviados a um computador em uma mochila, nas costas do robô. Ali, eles seriam traduzidos e transformados em comandos de movimento. Giroscópios acoplados às costas do robô garantiriam o equilíbrio do exoesqueleto.
Oito pessoas teriam participado dos testes, que teriam se iniciado em novembro e foram divulgados em uma página do Facebook e no Portal da Copa. Uma das novidades anunciadas pelos cientistas que projetaram a estrutura é que ela faria os jovens sentirem a sensação de contato com o solo, como se ele fosse percebido pelos pés. Sensores acoplados aos pés do robô ‘enganariam’ a mente, passando a informação da proximidade do chão como se ela viesse do corpo. Com isso, a ideia da equipe responsável pelo projeto é que o exoesqueleto fosse compreendido pelo cérebro e controlado como mais um membro do organismo.
"Foi um grande trabalho de equipe e destaco, especialmente, os oito pacientes, que se dedicaram intensamente para este dia. Coube a Juliano usar o exoesqueleto, mas o chute foi de todos. Foi um grande gol dessas pessoas e da nossa ciência", celebrou Nicolelis, coordenador científico do projeto, em um comunicado à imprensa. Com informações da revista Veja