O MPF (Ministério Público Federal) de São Paulo se reuniu nesta quinta-feira (28) em Santos, no litoral de São Paulo, com representantes do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). O MPF vai monitorar a investigação sobre as causas do acidente aéreo que matou o candidato à Presidência da República, Eduardo Campos (PSB), e outras seis pessoas no dia 13 de agosto.
A reunião com o procurador da República Thiago Lacerda Nobre, que é coordenador do Grupo de Trabalho de Transportes da 3ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, ocorreu na manhã desta quinta-feira. Devido ao fato de as investigações estarem em andamento, não foi divulgado o teor do encontro.
O Ministério Público havia solicitado ao Cenipa todos os laudos e relatórios sobre o acidente elaborados até o momento, mesmo que parciais; os diálogos gravados na caixa preta da aeronave e a data prevista para a conclusão dos trabalhos de análise do material relacionado ao avião, seja em relação às turbinas ou em relação à caixa preta.
O MPF ainda enviou ofícios à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), à Força Aérea Brasileira (FAB), à Secretaria de Aviação da Presidência da República e ao Comando da Base Aérea de Santos.
À Anac, os questionamentos são sobre a aeronave, quais eventuais irregularidades e pendências, a homologação e as vistorias da Base Aérea de Santos, as restrições de pouso no local e eventuais pendências não regularizadas ou relatos de situações desfavoráveis no aeródromo.
Ao chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, o MPF solicitou informações sobre a existência de área reservada para voo de Vant (Veículo Aéreo Não Tripulado), entre os dias 11 e 31 de agosto, próximo ao local do acidente, sobre eventuais relatos de situações desfavoráveis no local por parte de analistas técnicos ou pilotos que utilizaram a base aérea e ainda sobre os prontuários dos comandantes da aeronave, em relação à experiência de voo e cursos de capacitação.
Quanto à Secretaria de Aviação Civil da Presidência, o MPF pediu informações sobre o programa de investimentos na Base Aérea de Santos, em relação a eventuais carências e irregularidades que devem ser corrigidas, bem como laudos que eventualmente tenham sido realizados para permitir investimentos no local.
Já ao comandante da Base Aérea de Santos, major Olympio de Carvalho Mendes Neto, Thiago Lacerda Nobre solicitou informações sobre eventuais restrições para pouso no local e sobre se o procedimento de arremetida do avião foi o de praxe. Em caso afirmativo, questiona se há registros de outras aeronaves de mesmo modelo que tenham realizado o mesmo procedimento. Também foram solicitados dados relativos às condições meteorológicas no local no dia do acidente, se o aeródromo possui torre de controle e como é feira a comunicação com aviões que aterrissam no local ou estejam em procedimento de aproximação. Também foram feitos questionamentos sobre algum tipo de contato e eventual relato de instabilidade ou falha na aeronave reportada pelos comandantes do voo.