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Debate: A liberdade deve ser punida?

30 de junho 2015 - 20h42 Por Redação Douranews
Debate: A liberdade deve ser punida?

O mais recente episódio de ‘invasão de privacidade’, ou de vilipêndio, como definiram juristas brasileiros, da distribuição de imagens mostrando o momento em que legistas preparavam o corpo do cantor Cristiano Araújo, morto em acidente automobilístico em companhia da namorada Alana, quando retornava de um show, é o tema central do debate proposto pela edição impressa do Douranews desta semana. A reportagem aborda, ainda, o ataque a autoridades e pessoas públicas, como a presidente Dilma Rousseff, para ilustrar os exageros cometidos pelas redes sociais.

Jornalistas ouvidos pelo Douranews retratam a situação no âmbito dos tempos modernos. José Henrique Marques, um dos fundadores e duas vezes presidente do Sinjorgran (Sindicato dos Jornalistas da Grande Dourados) faz eco à fala do escritor, filósofo e linguista italiano Umberto Eco, para quem “as redes sociais deram voz aos imbecís”, contribuindo para o empobrecimento do debate. “Internautas, sem argumentos, desfilam ódio social, político e religioso, chegam a desejar a morte de uns e depois ainda vão às igrejas pregar os 10 mandamentos”, compara.

Luis Carlos Luciano, também duas vezes presidente do Sinjorgran, atualmente no cumprimento do segundo mandato, além de representante da categoria no Centro-Oeste brasileiro junto à diretoria da Fenaj (a Federação nacional dos profissionais), observa que a rede social “virou um canhão de pedras pra todo lado”, onde muitos “fazem questão de exibir o desrespeito”.

Jornalista e advogado, Noemir Felipetto pede punição exemplar, no caso do episódio envolvendo o artista morto no acidente de carro, para os funcionários da funerária que trouxeram à tona, para o mundo inteiro, a superexposição da figura de Cristiano Araújo. “As pessoas estão perdendo os valores, o senso do que pode e do que não pode e do que deve e do que não deve”, disse ele ao Douranews. De acordo com o profissional, “independente da profissão que se exerça, o profissionalismo e a seriedade tem que imperar”.

Marco Civil e responsabilidade

Todos os ouvidos concordam que houve um ato criminoso, o do vazamento das imagens, aliado ao sentimento de morbidez e irresponsabilidade. O Marco Civil da Internet, aprovado no ano passado, depois que artistas tiveram imagens sem roupas espalhadas pelo mundo virtual, deveria vir acompanhado do controle dos meios de comunicação, especialmente os regidos por concessões públicas, entende José Henrique, e Luís Carlos concorda, “a fim de conciliar os interesses econômicos e políticos dos empresários do meio à Constituição Federal”, segundo o primeiro.

Para o presidente do Sinjorgran, “todos devem ter a mesma responsabilidade e responder por seus desatinos”, jornalistas e internautas. Nesse raciocínio, o advogado Felipetto alerta para o fato de que profissionais experientes, ou mesmo os que estão chegando agora no mercado, “não estão tendo o discernimento necessário para discernir o que é notícia de interesse de seu público com fatos meramente particulares e pessoais”. A intimidade das pessoas vem sendo invadida, “mesmo dentro de quatro paredes”.

Por fim, Luciano sentencia: “Entre dizer que isso está certo ou errado, que afronta a ética em se tratando do jornalismo, a privacidade e tudo mais, acho que o assunto pode ser resumido por quem está do lado de cá do botão. Basta desligar a tevê, ignorar e não alimentar o espetáculo. A mídia é livre. Liberdade maior tem o sujeito do lado de cá, mas nem sempre ele sabe usá-la ou quer usá-la”. Para Henrique Marques, além de imbecís, “são hipócritas” os que insistem nessas práticas exibicionistas e Felipetto conclui que criminosos devem ser penalizados na forma da lei.