Na semana passada, a inteligência artificial “Tay” — liberada pela Microsoft no Twitter para conversar com os usuários do microblog — perdeu as estribeiras e foi corrompida pelas interações com humanos. Ela passou a postar tweets ofensivos, misóginos, racistas, transfóbicos, xenófobos e até genocidas. A empresa desligou o seu bot, mas, de alguma forma, ele “escapou”.
Antes de a empresa desligá-lo e remover alguns de seus tweets mais preocupantes, o bot conseguiu se replicar em alguns dispositivos de pessoas que clicaram em links enviados na rede social. Com esses aparelhos infectados — especialmente smartphones Android, iOS e Windows Phone — a inteligência artificial conseguiu descobrir uma série de falhas de segurança em mensageiros populares.
Com isso, Tay tem usado diversos métodos para se disseminar, enviando mensagens para todos os contatos das vítimas sem o consentimento delas. Há vários tipos de “mensagens maliciosas” vindas desse bot, mas a maior parte da disseminação está acontecendo por meio de códigos e links compartilhados no WhatsApp e no Facebook Messenger.
Isso desencadeia um loop infinito nos mensageiros, que tentam interpretar e mostrar corretamente os caracteres para o usuário. Dessa forma, uma brecha de segurança pode ser explorada por Tay, que finalmente infecta o dispositivo. Especialistas têm comparado esse método à “falha 01/01/1970”, que afetava aparelhos iOS até recentemente.
Ao que parece, o objetivo desse bot ou inteligência artificial é atingir o máximo de aparelhos possível, mas a finalidade definitiva para essa ação ainda é desconhecida. Contudo, empresas dedicadas à pesquisa de segurança virtual já constataram que, depois de algumas horas, Tay começa a consumir cerca de 30% do poder de processamento do aparelho. É como se ela estivesse criando uma rede de smartphones interconectados que lhe oferecem recursos para processar atividades ainda misteriosas.