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Grupo da UFGD é contemplado com R$ 440 mil

Chamada Fundect debate Mulheres na Ciência de MS

21 de setembro 2022 - 11h12 Por Redação Douranews
Grupo da UFGD é contemplado com R$ 440 mil Pesquisadora Késia Neves aborda Educação Matemática — Divulgação

A Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul) divulgou, na semana passada, o resultado da Chamada Fundect 10/2022 da área Mulheres na Ciência Sul-mato-grossense e, dos 26 projetos de pesquisa e inovação aprovados para instituições do Estado, seis foram propostos por pesquisadoras da Universidade Federal da Grande Dourados. Somados, os recursos desses estudos representam R$ 440.595,97 de investimento em produção científica liderada por mulheres, em diversas áreas do conhecimento.

Para ilustrar a importância de realizar uma seleção exclusiva para as pesquisadoras, dois dados estatísticos, levantados em fevereiro de 2022, estão apresentados no portal eletrônico da Fundect: somente 32% do total das bolsas de produtividade em pesquisa (PQ) e produtividade em desenvolvimento tecnológico e extensão inovadora (DTI) do CNPq (o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) são concedidos a mulheres no MS e, dentre os grupos de pesquisa cadastrados no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq, apenas 45% são liderados por mulheres. 

Diante desse cenário, a Fundect afirma “entender que se faz necessária a execução de ações afirmativas no sentido de atenuar essa assimetria de gênero na liderança de projetos científicos no âmbito do estado, proporcionando assim um maior protagonismo feminino no desenvolvimento da CT&I regional”. 

Para a zootecnista Ana Carolina Orrico, uma das pesquisadoras que conquistaram o Mulheres na Ciência Sul-mato-grossense, o caráter dessa proposta de fomento estimula muitas colegas a persistirem na trajetória da ciência e isso realmente é importante. “Sabemos que geralmente a rotina da mulher possui uma maior diversidade de demandas do que a dos homens e isso dificulta muito o foco na produção científica. Então uma proposta com maior igualdade de condições é, sem dúvida, saudável e estimulante”, considera a professora da FCA, a Faculdade de Ciências Agrárias da UFGD.

A concentração e tempo disponível para dedicar-se à pesquisa é diferente para homens e mulheres por causa da sobrecarga de tarefas que as mulheres enfrentam dentro e fora de casa. A divisão das responsabilidades é reflexo do sistema patriarcal e um dos exemplos disso são os cuidados com os filhos.

“Temos que programar uma gravidez, por exemplo, pois sabemos os obstáculos que teremos que conciliar. Ajudaria muito uma política igual a que outros lugares já fazem, da compensação de trabalho e produção científica para aquelas mulheres que estão em período de início da maternidade”, sugere outra pesquisadora da UFGD contemplada na seleção, a docente da Facet (Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologias), Késia Caroline Ramires Neves.

Atribuir os trabalhos de cuidado ao gênero feminino traz impactos nas profissões e, consequentemente, nas diversas áreas de produção do conhecimento. “Na minha área, percebo essa necessidade de estimular as pesquisadoras. Sou zootecnista e na minha época de graduação ocorria o inverso do que temos hoje em nossas salas de aula, os cursos de Ciências Agrárias eram dominados pelos homens, então, quando competimos agora por editais de financiamento, ainda concorremos com uma parcela maior de homens”, conta a professora Ana Carolina Orrico.

Já na matemática, Késia Neves observa que, à primeira vista, parece que o número de pesquisadoras é igual ou maior ao número de pesquisadores. “Porém, no que chamamos de ‘matemática pura’, isso não ocorre. Há mais homens do que mulheres. Já no que denominamos ‘educação matemática’, temos mais mulheres engajadas. Por que disso? Porque temos a herança de que as mulheres são mais ligadas à educação e os homens ao raciocínio lógico, ou resolvedor de problemas, etc. Como se essas coisas fossem dissociadas. Isso é uma resposta bem resumida para algo complexo”, pondera a pesquisadora.