Equipe comemora aprovação de projeto da professora Simone — Divulgação
O projeto, intitulado “Abordagens de baixo custo baseadas em triagem virtual e planejamentos de novos hits para controlar a disseminação de bactérias multirresistentes”, que prevê o desenvolvimento de novos antibióticos para bactérias de difícil tratamento e que passaram por mutações genéticas e apresentam resistência a pelo menos três classes de antibióticos comerciais e, por isso, são chamadas de bactérias multirresistentes, coordenado pela professora Simone Simionatto, da FCBA (a Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais) da UFGD, foi aprovado na Chamada CNPq/MCTI/CT - Saúde nº 52/2022, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, por meio do CNPq, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
Para o desenvolvimento da pesquisa serão investidos aproximadamente R$ 3 milhões. Serão destinados R$ 2 milhões para testes pré-clínicos de fase 1 para dois candidatos a antibióticos, mais de R$ 400 mil serão investidos para prover os laboratórios da UFGD de novos equipamentos e o restante será aplicado em bolsas para os estudantes, de graduação e pós-graduação, selecionados. Com previsão de realização em 24 meses, o projeto já foi contratado pelo CNPq e os recursos estão disponíveis.
“Foi um edital foi muito concorrido, e é motivo de muita satisfação para nós concorrermos com grandes universidades e centros de pesquisa do País e sermos agraciados com a aprovação deste projeto. É um reconhecimento de nossos esforços, pois mesmo com todas as dificuldades e cortes nos investimentos, nos empenhamos em fazer pesquisa de qualidade e contribuir para a melhoria da saúde de nossa comunidade e de nosso País”, disse a professora, que é bióloga, doutora em Biotecnologia na área de produção de vacinas recombinantes e líder do Grupo de Pesquisa em Biologia Molecular de Microrganismos na UFGD.
A Chamada CNPq/MCTI/CT - Saúde nº 52/2022 tem o objetivo de apoiar “ações em ciência, tecnologia e inovação para o enfrentamento da resistência antimicrobiana (RAM)” que contribuam com o avanço do conhecimento na área, além de gerar dados que possam servir de subsídio para o enfrentamento da resistência antimicrobiana no âmbito do sistema de saúde brasileiro. A seleção de projetos ocorreu através de seis linhas temáticas, que receberam cerca de 200 propostas de vários estados brasileiros. A proposta da UFGD foi uma das 19 aprovadas e está na linha 5, que por sua vez aprovou somente três projetos. A linha 5 é denominada “Ensaios clínicos de fase I para o desenvolvimento de novos antibióticos e/ou aprimoramento de antibióticos já existentes” e seu foco é a produção em escala industrial, por isso priorizou propostas que apresentassem parcerias com indústrias e empresas do setor farmacêutico.
Representada pela professora Simone Simionatto, a UFGD é a instituição executora. Para a realização do projeto, ela estabeleceu parcerias nacionais e internacionais, articulando 10 instituições de ensino e pesquisa, centros de infectologia e laboratórios privados brasileiros, além de uma universidade dos Estados Unidos e outra do Canadá. “Esse projeto envolve várias etapas e a colaboração entre as instituições é bastante produtiva, pois possibilita a troca de experiências, qualifica as pesquisas e viabiliza testes que às vezes não somos capazes de desenvolver em universidades novas e fora dos grandes centros, como é o caso da UFGD”, destaca.
Todo o processo de pesquisa e desenvolvimento de um novo medicamento demore em torno de 10 a 12 anos, desde o planejamento até a comercialização. Para reduzir tempo e custo, o projeto buscará agregar valor científico e tecnológico ao processo, utilizando estratégias de química medicinal para criar novos fármacos, que são os princípios ativos, ou seja, as principais substâncias da formulação dos medicamentos, fazer diferentes combinações entre eles e descobrir candidatos a fármacos ainda não foram reportados na literatura, estima a coordenadora.