O aumento na presença dos automóveis importados no mercado brasileiro preocupa as montadoras instaladas no país, que dizem enfrentar condições desiguais de competição, especialmente no que diz respeito ao peso dos impostos e ao custo de mão de obra no Brasil.
Enquanto o consumidor claramente não dá a mínima para as preocupações dos fabricantes e com razão, já que pode encontrar um produto completo, de qualidade, a preços competitivos , as empresas preparam um grande estudo de competitividade para tentar mostrar ao governo o que, de acordo com elas, é a injustiça do mercado dos importados.
Esse estudo, iniciado em novembro, deve ser a principal arma das montadoras para tentar conseguir da administração federal "medidas emergenciais de curto e médio prazos" que ajudem as empresas com fábricas no Brasil a competir com os veículos vindos de fora, que, em janeiro, representaram 23,5% das vendas no país, de acordo com a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).
O presidente da entidade, Cledorvino Belini, que também é o executivo máximo da Fiat no Brasil, disse nesta segunda-feira (7) que a análise, feita por uma consultoria internacional, vai abranger toda a cadeia produtiva para identificar onde o país pode aplicar medidas que desonerem a fabricação de veículos.
- Precisamos trabalhar para melhorar a competitividade no Brasil. Para se ter uma idéia, o aço que usamos aqui é até 40% mais caro do que em outros países.
Belini disse que as montadoras não são contra a importação de carros, mas reclamou condições de igualdade com os veículos vindos de fora.
- O problema não é o fato de importarmos, mas sim o fato de não exportarmos o suficiente.
Questionado sobre quais providências as montadoras pretendem aplicar internamente para melhorar a competitividade, o presidente da Anfavea desconversou, mas lembrou que, quando do estouro da crise financeira, o governo aplicou "medidas emergenciais" para estimular o mercado, especialmente com a redução do IPI (imposto sobre produtos industrializados).
- À medida que você importa, você gera [postos de] trabalho em outros países, e não no Brasil.
Vale lembrar que os carros estrangeiros - mesmo aqueles que vêm de países como México ou Argentina, isentos de taxas de importação - pagam a mesma carga de impostos finais - de 27% a 36% - quando entram no Brasil. Em muitos casos, no entanto, a grande escala de produção e os menores encargos de mão de obra - planos de saúde, férias, salários extras - barateiam o produto estrangeiro.
Segundo dados da Anfavea, em 2005, cerca de 5% dos carros vendidos no Brasil eram importados, número que passou dos 23% no início deste ano. Enquanto isso, seis anos atrás, cerca de 30% dos carros montados no Brasil eram exportados, número que baixou para 13,2% em 2011.