O diretor superintendente do Panamericano, Celso Antunes da Costa, afirmou nesta quarta-feira (16), durante a apresentação do balanço contábil de 2010, que não foi identificado desvio de recursos nas operações do banco.
"Isso a gente não identificou e não nos cabe identificar. Nós fizemos um levantamento, não uma investigação", disse. "Em momento algum encontramos qualquer coisa que nos remetesse a imaginar que houvesse desvio. Não estou dizendo que não teve porque a gente não fez um trabalho investigativo", completou.
Durante a preparação do balanço, foi identificado, de acordo com o diretor, que em casos de prejuízo, uma espécie de manipulação dos números era feita para cobri-lo, provocando uma situação cada vez pior. "Vira uma bola de neve", disse.
Segundo Costa, o Banco Central, a Polícia Federal e o Ministério Público têm acesso irrestrito a qualquer dado que seja necessário para eventuais investigações. "Eles têm acesso geral a tudo o que for pedido. É só fazer o pedido formal, como prevê a lei, que os dados são fornecidos."
O Panamericano, que teve seu controle comprado pelo BTG Pactual, divulgou nesta quarta-feira balanço patrimonial confirmando que o rombo total nas contas chegou a R$ 4,3 bilhões.
No comunicado, o Panamericano informa que além do rombo inicial de R$ 2,5 bilhões, "a administração identificou irregularidades adicionais de R$ 1,3 bilhão inicialmente informados e
outros ajustes não relacionados a inconsistências no valor de R$ 0,5 bilhão".
A instituição mantinha em seu balanço como ativos carteiras de crédito que haviam sido vendidas a outros bancos. Também houve duplicação de registros de venda de carteiras, inflando o resultado do Panamericano, segundo identificou o Banco Central.
Segundo o balanço, o valor total de R$ 4,3 bilhões foi integralmente ajustado no balanço patrimonial e é a soma de: R$ 1,6 bilhão referente à carteira de crédito insubsistente, R$ 1,7 bilhão referente a passivos não registrados de operações de cessão liquidados/referenciados, R$ 500 milhões referentes à irregularidades na constituição de provisões para perdas de crédito; R$ 300 milhões referentes a ajustes de marcação a mercado; e R$ 200 milhões referentes a outros ajustes
"A complexidade dos mecanismos adotados na geração das inconsistências contábeis impediu a definição do momento exato em que começaram a ocorrer as irregularidades contábeis e fragilidades dos controles internos que ocasionaram a falta de confiabilidade dos registros", informou o Panamericano no relatório.
Diante disso, segundo o banco, ficou inviável mensurar quais ajustes de inconsistências contábeis se referiam aos exercícios anteriores, quais competiam ao exercício encerrado em 31 de dezembro de 2009, e quais dizem respeito ao ano de 2010.
"O banco renasceu. Todas as demonstrações e todos os números válidos são aqueles que estão no que instituímos como balanço de abertura. Nos próximos trimestres, não vamos fazer comparação porque não tem como comparar. Qualquer comparação que se faça antes de novembro de 2010 não tem nenhum respaldo, nenhuma consitentência. Toda comparação ao longo de 2010 será prejudicada", disse da Costa.
Em 2010, o Panamericano afirma ter fechado o ano com carteira de crédito de R$ 13,3 bilhões, contra R$ 9,97 bilhões em 2009. Em dezembro, a instituição afirmou ter fechado o mês com prejuízo de R$ 142 milhões.
Próximos passos
Em relação ao acordo operacional fechado com a Caixa, que passa a deter 34,64% do Panamericano, o banco informou que o portifólio de produtos poderá ser ampliado. Também há a possibilidade de atuação das duas instituições em convênios e elaboração de estratégias "buscando aumento contínuo no marketing share e o alcance de novos mercados".
Na semana passada, a Caixa informou que vai injetar de R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões no Panamericano para dar liquidez à instituição.