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Fazenda onde adolescente indígena foi morto tem liminar de posse

13 de abril 2013 - 11h04 Por Redação Douranews
Fazenda onde adolescente indígena foi morto tem liminar de posse

A Justiça Federal concedeu liminar de reintegração de posse da fazenda Santa Helena, de propriedade do fazendeiro Orlandino Gonçalvez Carneiro, autor confesso da morte do adolescente indígena guarani kaiowá Denilson Barbosa, de 15 anos, morto no dia 16 de fevereiro dentro da propriedade que faz divisa com a aldeia Tey’ikuê, no município de Caarapó.

Após o assassinato, cerca de 300 indígenas enterraram o corpo de Denilson no local e passaram a ocupar a fazenda Santa Helena, cuja área é reivindicada como parte do antigo território tradicional Pindo Roky.

A juíza da 1ª Vara Federal de Dourados, Raquel Domingues do Amaral, argumenta, em decisão proferida quinta-feira (11), que não levou em consideração o conceito de terra tradicionalmente ocupada, “uma vez que ainda não foi noticiada a conclusão definitiva pelo Poder Executivo de qualquer demarcação na área de objeto de litígio”.

A liminar estabelece um prazo de dez dias para que os indígenas deixem o local. Caso contrário, a comunidade da aldeia Tey'ikuê deverá pagar uma multa diária de R$ 10 mil. A Funai (Fundação Nacional do Índio) também foi incluída na decisão, devendo pagar indenização diária de R$ 100 mil caso os índios permaneçam na fazenda.

A juíza ainda exige que a Funai “proceda à exumação e traslado do corpo do jovem indígena sepultado na fazenda”, enterrando o corpo de Denilson no cemitério de Tey’ikue, “segundo as regras sanitárias vigentes”.

Vai recorrer

O coordenador substituto do escritório da Funai em Dourados, Vander Aparecido Nishijima, disse que o órgão vai entrar com um agravo de instrumento contra a liminar da juíza, “para assegurar a permanência da comunidade na área”. 

Nishijima informou sobre a existência do grupo de trabalho Dourados-Amambaipeguá, para realizar os estudos relativos à identificação e delimitação de terras indígenas em sete cidades do Estado: Dourados, Fátima do Sul, Amambai, Juti, Vicentina, Naviraí e Laguna Carapã.
 
Os índios decidiram que não vão sair da fazenda e que vão recorrer da decisão da juíza. “Nós não vamos sair daqui. Não é só a questão do assassinato, a decisão da comunidade é retomar a terra dos nossos antepassados”,  disse Aléssio Martins, liderança Pindo Roky, conforme informa a Agência Brasil.