Quatro proprietários de imóveis rurais localizadas na região de Nova Andradina, e um de Angélica, haviam procurado a sede da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal), até esta terça-feira (19), para comunjicar a mortes de bovinos provocadas pelas condições climáticas adversas registradas nos dois últimos fins de semana no Estado.
Antes da chegada da primeira onda de frio ao Estado, no começo do mês, a agência reforçou o alerta aos produtores rurais sobre os riscos de mortalidade por hipotermia. A medida buscava incentivar a adoção de ações preventivas, principalmente em propriedades que mantêm bovinos em campo aberto.
A combinação de frio intenso, chuva e ventos fortes por longos períodos provoca desafios aos rebanhos. Segundo a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), as baixas temperaturas afetam diretamente as pastagens e comprometem o desempenho dos animais.
Em casos de geada, por exemplo, as gramíneas tropicais, como as braquiárias, sofrem danos severos devido à morte do tecido foliar, o que reduz a oferta e a qualidade nutricional da forragem. Com menos alimento disponível, os animais perdem escore corporal e apresentam queda de produtividade, sobretudo em propriedades sem suplementação adequada.
Já o frio intenso eleva o estresse térmico nos bovinos, reduz a imunidade e favorece o surgimento de doenças, especialmente respiratórias, segundo a Iagro. Bezerros recém-nascidos, vacas prenhes, animais idosos e bovinos submetidos recentemente a manejos como desmama e transporte exigem atenção redobrada dos produtores, como orienta também a Famasul.
Segundo a entidade, este cenário se agrava porque o inverno já reduz naturalmente a produção de forragem na região Centro-Oeste. As temperaturas mais baixas, o menor fotoperíodo e a diminuição das chuvas durante a estação seca inibem o crescimento das pastagens e diminuem a disponibilidade de alimento para os animais.
Manejo preventivo
Em 2023 e 2024, a Iagro recebeu inúmeras notificações de mortalidade de animais por hipotermia, principalmente de bovinos. Em 2025, não foram comunicadas perdas decorrentes desse tipo de agravo não infeccioso. Para que as perdas não sejam tão significativas como em anos anteriores, a agência reforça algumas medidas que devem ser adotadas em 2026 pelos produtores, especialmente de animais mantidos em campos abertos:
Recolher os animais em piquetes com capões de mata, que sirvam de proteção contra os ventos frios e a exposição às baixas temperaturas;
Recolher os animais em piquetes com barreiras naturais ou artificiais que auxiliem na redução das correntes de ar frio;
Evitar manter os animais em invernadas próximas a corpos d’água;
Abrigar os animais debilitados ou mais sensíveis em piquetes ou currais próximos, de forma a facilitar a assistência e o manejo;
Promover alimentação suplementar ao rebanho, por meio do fornecimento de forragens, volumosos ou concentrados, a fim de manter os animais adequadamente alimentados durante os períodos de baixas temperaturas, compensando a redução da disponibilidade de pastagens e auxiliando na recuperação dos animais submetidos ao estresse fisiológico ocasionado pelo frio.
Protocolo de notificação
As perdas de bovinos, quando notificadas pelos proprietários, devem ser comunicadas imediatamente à Iagro. Nesses casos, o serviço veterinário oficial realiza a inspeção e efetua a baixa do estoque. Caso a visita não seja viável, o produtor pode apresentar laudo veterinário particular.
Outro ponto importante: todas as carcaças precisam ser removidas rapidamente para evitar riscos de doenças, como botulismo. O contato pode ser feito pelo WhatsApp (67) 99961-9205.


Gado nao resiste ao frio intenso em propriedades - (Foto: Iagro)




