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CLÓVIS DE OLIVEIRA

A coincidência de um gesto

07 de novembro 2021 - 21h47 Por Clóvis de Oliveira
A coincidência de um gesto colunista 2

Começo esse artigo com um título que demorou muito mais do que os anteriores para ser escrito. Na verdade, nem era bem esse o foco... hahaha.

Mas, fica valendo a interpretação.

Porque é exatamente a interpretação de um gesto, ultimamente tão na moda, que muitos procuraram, inclusive questionando o Blog, se poderia fazer essa ‘tradução’.

Penso, não que essa seja a resposta aos meus interlocutores, e nem a ‘sentença’ aos que já o praticaram, que um gesto se traduz na forma cortez de revelar uma disposição, ou vontade, de se mostrar gentil, receptivo, acessível, aberto...

Um amigo de bastidores costuma dizer que o gesto é a sinalização de que você está ‘desarmado’, ou seja, aberto ao entendimento, ao diálogo.

Já o ex-senador Moka, um folclorista das bandas de Bela Vista, dizia: “Gesto é como o assobio em começo de namoro, tudo começa mais ou menos nessa toada”.

Como jornalista dos mais dispostos a gestos de camaradagem, passei os últimos dias rebuscando o que pode estar a nos dizer a coincidência de um gesto que tem se tornado repetitivo por essas bandas.

E olha que comecei a pesquisa lá pelos anos de 2010, após o hoje governador Reinaldo Azambuja ter sido eleito deputado federal, quando fez questão de, no dia da posse, acenar para as câmaras com um sinal de ‘positivo’ (ao lado do colega, também eleito na época, o palhaço Tiririca), ou “chimite” como se dizia antigamente, mais tarde ajustada ao “shimit” que viria a se transformar até em propaganda velada de arma de fogo, dada a marca de uma fabricante do gênero.

Acontece que, passados quase 12 anos, e depois de vasculhar todo um HD com dez teras de arquivos compactos, o tal “chimite” voltou em alta escala:

- o deputado Zé Teixeira o utiliza para acenar ‘voto sim’ nas sessões online da Assembleia Legislativa. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

- o advogado Eudélio o utiliza, em pose junto com o copo de cerveja no boteco, para acenar que ‘deseja sim’ ir para a Assembleia Legislativa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

- e o autointitulado insubordinado jornalista Valfrido Silva também acena que é hora, ‘sim’, do armistício, antes da declaração de paz.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Enfim, são gestos. Interpretá-los, e daí a correspondê-los, é mera consequência.