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População discorda de apoio público a entidades privadas

06 de maio 2011 - 19h49 Por Redação Douranews
População discorda de apoio público a entidades privadas

A publicação de convênios de apoio financeiro celebrados entre a Prefeitura de Dourados e entidades de caráter privado, na edição de ontem (5) do Diário Oficial do Município, provocou reações imediatas da população. O Douranews recebeu manifestações de todo tipo: "não é certo a prefeitura ajudar essas entidades grandes, enquanto outras que cuidam de pessoas carentes vivem atravessando crises financeiras", resume o comerciante Manoel de Assis Rolón.

De acordo com o Diário Oficial, R$ 163.700,00 estão sendo repassados ao Sindicato das Empresas do Vestuário Industrial, Fiação e Tecelagem da Região Sul do Estado de Mato Grosso do Sul – Sinvesul/MS (R$ 30 mil);  à Câmara de Dirigentes Lojistas de Dourados – CDL (R$ 20 mil); à Associação Comercial e Empresarial de Dourados – Aced (R$ 12 mil); e ao Sindicato Rural de Dourados (R$ 101.700,00), todos tendo “como objeto” apoio financeiro a eventos e campanhas realizados pelas entidades beneficiadas.

Todos os convênios estão sendo celebrados pela Prefeitura através da Secretaria municipal de Agricultura, Indústria e Comércio.

Os eventos

A verba liberada para o Sinvesul visa contribuir com a realização da quarta edição da Expoem que acontece até domingo (8) no Pavilhão de Eventos Dom Teodardo Leitz, espaço cedido pela Prefeitura. Para o CDL, os recursos contribuirão para realização das campanhas do dia das Mães e do Dia dos Namorados, no período compreendido entre os dias 5 de maio e 18 de junho. Já para a Aced a contribuição visa apoiar a realização da 5ª Exposhopping, que acontece no interior do Parque de Exposições João Humberto de Carvalho, durante a 47ª Expoagro, de 12 a 22 de maio.

O último convênio é dirigido para a maior festa agropecuária do interior do Mato Grosso do Sul, a Expoagro. Para este evento, o Sindicato Rural estará recebendo, também a título de apoio financeiro, o valor de R$ 101,7 mil, além do apoio logístico, com utilização de máquinas e funcionários públicos para preparar e cuidar da manutenção do espaço durante a realização da feira.

População

O que as pessoas não concordam é que a liberação de recursos atende entidades que têm capacidade de se sustentar, enquanto em outros setores há carência de investimentos. O comerciante Manoel de Assis Rolón, por exemplo, não acha certo a  Prefeitura ajudar essas entidades grandes, enquanto outras que cuidam de pessoas carentes vivem atravessando crises financeiras. Ele justifica dizendo que “é errado porque eles não têm necessidade. Eles já têm um super poder aquisitivo, enquanto tem outras entidades aí, que ajudam as pessoas carentes que não ganham nada”, acrescentando que “tem que ajudar os pobres, que moram longe, onde as ruas são esburacadas, não tem recursos. Afinal, o dinheiro não é do prefeito, é do povo”, dispara.

Outro a discordar é o autônomo Marcos Roberto Lima de Abreu. Para ele não existe qualquer retorno para aqueles que realmente “pagam essa conta”, os cidadãos. “O Sindicato Rural [beneficiado com a maior parte dos repasses] é uma entidade reconhecidamente forte e não tem necessidade nenhuma de tirar dinheiro da Prefeitura; eles podem, sozinhos, fazer uma festa até maior do que esta, sem usar recursos públicos”, diz ele, que vai mais longe: “A Prefeitura poderia, ao invés de dar esse dinheiro para o sindicato, comprar tudo em ingressos e distribuir para entidades carentes, escolas e outros setores. O povo precisa também de lazer e seria num momento desse que teria a chance de se divertir em igualdade de condições com aqueles que têm dinheiro”, aponta Marcos.

Segundo ele, “nos dias que o sindicato abre suas portas, não há nenhum show de nível nacional. Pelo menos eles poderiam abrir as portas num único dia de show grande, ou então, pagar músicos locais, que pelo que ouvi falar, não ganham nada para se apresentar nos dois dias gratuitos, quando não vai quase ninguém lá”, diz.

Já a diarista Marielza de Oliveira Moraes é enfática. “Não concordo com isso não. Essas festas não ajudam em nada para o povo e ainda por cima, vemos outras coisas que precisam ser endireitadas sem ser feitas. Esse dinheiro deveria ser usado é para recuperar a cidade”, finaliza.