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Transporte ferroviário é a saída para novo ciclo econômico

20 de maio 2011 - 20h04 Por Clóvis de Oliveira, Especial para o Douranews
Transporte ferroviário é a saída para novo ciclo econômico

O debate em torno da viabilidade econômica e estrutural da implantação das ferrovias Ferroeste ou Norte-Sul, integrando o pólo regional liderado por Dourados aos maiores centros de consumo mundial deverá representar o início de um novo ciclo econômico. A opinião é do deputado estadual Laerte Tetila (PT), que vem insistindo nessa tese e agora propõe a ampla mobilização das lideranças dessa região através da audiência pública marcada para o dia 26 de maio na Câmara de Dourados.

Tetila lembra, a partir da própria experiência como parlamentar [ele foi vereador e deputado estadual e, depois de oito anos como prefeito de Dourados, volta ao Parlamento estadual] que o eixo do desenvolvimento sempre passou pelas regiões onde é mais forte a representatividade política. “E nós temos, agora, essa chance de reverter o eixo, porque somos um terço da Assembléia Legislativa, temos dois deputados federais bem relacionados em Brasília e o apoio direto de pelo menos dois dos três senadores do Estado”, comenta.

Pelas contas do deputado, além dos quatro membros da Assembléia eleitos com boa parcela de votos de Dourados (Zé Teixeira, George Takimoto, Lauro Davi e ele próprio], a região ainda tem os deputados Onevan de Matos (Naviraí), Londres Machado (Fátima do Sul), Mara Caseiro (Eldorado) e Dione Hashioka (Nova Andradina), os federais de Dourados (Geraldo Resende e Marçal Filho, ambos do PMDB), Reinaldo Azambuja (Maracaju) e ainda Vander Loubet [colaborador direto dessa audiência pública], e os senadores Delcídio Amaral, do PT e Waldemir Moka, do PMDB, que já se manifestaram comprometidos nesse desafio.

Economizar para crescer

Laerte Tetila destaca o fato de que a região hoje é forte produtora de grãos e mantém grande influência no mercado agropecuário. “A força dos nossos commoditties (grãos, cana de açúcar, a carne de gado, frangos e suínos) já é vista de longe. Só temos que criar alternativas para fazer essa produção chegar aos grandes e novos mercados consumidores [referindo-se a China, Índia e Japão] e para isso, o sistema ferroviário é o mais apropriado para se chegar aos canais de navegação”.

De acordo com o deputado, essa campanha pelo restabelecimento do transporte ferroviário como canal de ligação aos portos brasileiros de Santos e Paranaguá, e às demais opções como Cencepción no Paraguai ou ainda Antofagasta ou Iquique no Chile, remonta ao começo dos anos 80. Os ex-prefeitos Luiz Antonio Gonçalves e Braz Melo já defendiam e reivindicavam ramificações incluindo Dourados no traçado.

O importante hoje, de acordo com o deputado estadual do PT, é que – seja pela Ferroeste, com o traçado Maracaju,Dourados,Mundo Novo,Carcavel/PR, ou ainda pela Norte-Sul, interligando Santos,Panorama/SP,Nova Andradina,Dourados,Porto Murtinho/MS ao Paraguai ou Chile – a proposta visa economizar no mínimo 7.000 Km para fazer a produção regionais chegar ao mercado oriental e ainda, oferecer a chance do pequeno produtor crescer com o incentivo às cadeias de hortifrutis que viriam abastecer essa região. “Dourados e Campo Grande, onde estão os maiores índices de consumidores, importam produtos básicos da hortifruticultura”.