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Índios denunciam desvio de cestas-básicas para alimentação de porcos em aldeia de Dourados

14 de junho 2011 - 18h28 Por Carlos Marinho
Índios denunciam desvio de cestas-básicas para alimentação de porcos em aldeia de Dourados
Além do desvio eles apontam outros atos, como agressões, roubos, uso de drogas e bebidas e estupros - tudo sob ameaça de morte

O desvio de alimentos que deveriam ser utilizados na composição das cestas básicas para distribuição às famílias indígenas carentes está servindo para alimentação de porcos que são criados na Aldeia Panambizinho, denunciam indígenas de Dourados.

Ao Douranews, eles contaram que “quando os alimentos chegam à Reserva, ficam estocados até que se estraguem, sendo então levados como ração para alimentar uma criação de porcos que é mantida por líderes na Aldeia”.

Segundo eles, mesmo quando prontas, as cestas básicas só são entregues se apresentarem a carteira de vacinação dos filhos. “Não entendemos porque essa exigência. Querem ver a carteira para liberar o alimento, só que a vacinação acontece em épocas diferentes e não toda vez que vamos buscar a cesta. E se não levamos, eles não entregam a cesta que já é mínima e vem faltando diversos itens”, apontam.

Diversas outras irregularidades também foram denunciadas, entre elas a “atuação de uma Polícia Indígena (já proibida). “Essas pessoas são de confiança do capitão e fazem um verdadeiro inferno contra as famílias honestas que moram aqui”, contam, acrescentando que “além de roubar o que temos, eles nos ameaçam”, lamentam.

Segundo consta, é comum um grupo de “policiais indígenas” circularem pela reserva, principalmente depois que anoitece, quando ocorrem o que eles classificam de “verdadeiras barbaridades”. Um desses policiais chegou a entrar em um dos cultos religiosos, totalmente nu, ameaçando e agredindo os participantes.

Dentre os relatos, o indígena contou que “certo dia, uma senhora veio até nós, chorando, depois de ter sua casa saqueada. Levaram televisão, rádio, fogão, armário e outra coisas, além de estuprar a mulher”.

Também é comum esse grupo cercar os jovens que voltam da escola, no período noturno, agredindo os rapazes e abusando das meninas, sempre sob ameaças. "Se contarem alguma coisa vocês vão apanhar e, se não se calarem, podem até morrer" são algumas das ameaças dos ditos políciais indígenas.

O grupo que promove as agressões é ligado aos capitães considerados jovens, ou seja, aqueles que não são eleitos pela experiência acumulada ao longo da tradição indígena. “Temos 14 mil índios na Reserva, mas existe um grupo que se elegeu com o voto de pouco mais de 700 índios. Eles não respeitam ninguém e ai de quem tentar ir contra o que eles querem”, explica um líder nato da aldeia.

"Quando eles querem vêm até nossas casas e tomam tudo o que lhes interessa – roupa, móveis, comida, ou o que mais acharem", relata um dos índios ameaçado pela onda de terror que toma conta da área.

Ação da PF

Com a entrada da Polícia Federal nas aldeias, esses líderes torcem para que o tráfico de drogas lícitas ou não seja totalmente coibido e desarticulado. “Sabemos, mas não podemos falar. Existe envolvimento com bebidas e drogas e por isso esses que nos agridem fazem tanta coisa ruim com a gente. É triste, mas quando começa a escurecer, somos obrigados a nos trancar dentro de casa, para diminuir o risco de roubos e agressões”.