Diante da insatisfação política de setores da base aliada ao governo federal, o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), cobrou nesta quinta-feira que a presidente Dilma Rousseff aceite dialogar com deputados e assuma parte da articulação política junto ao Congresso. A chefe do Executivo, considerada de perfil mais técnico, delegou, em pouco mais de seis meses de governo, a três ministros diferentes - Luiz Sérgio, Antonio Palocci e Ideli Salvatti - a função de ouvir pleitos dos parlamentares e é criticada por pouco receber bancadas de senadores e deputados.
A cobrança de Maia ocorre na mesma época em que parte do Partido da República (PR), alijado da escolha do novo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, ameaça migrar para a oposição e até engrossar a virtual bancada do futuro PSD, do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Por meio de interlocutores e sem se dirigir diretamente ao PR, por exemplo, Dilma desautorizou a articulação para a manutenção do diretor-geral afastado do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot, e ironizou a legenda, afirmando reservadamente que a agremiação continuaria como governista de qualquer modo.
"Embora tenhamos continuidade de um mesmo governo - a Dilma é uma continuidade do governo Lula - são dois perfis diferentes, são modos de ver política e gestão diferentes. Esse primeiro semestre foi um período de adaptação, de conhecimento. Nesse período de adaptação é perfeitamente normal ter havido tensionamento", disse Marco Maia ao comentar a relação do Executivo com o Congresso Nacional no primeiro semestre.
"A presidente Dilma nesse período compreendeu de forma mais clara que há uma parcela da articulação política que tem que ser feita por ela e que ela não pode delegar a ninguém, nem à Casa Civil e nem à Secretaria de Relações Institucionais. É um papel que a presidente precisa cumprir. Ela precisa fazer essa articulação e buscar essa aproximação. Esse período demonstrou isso, que efetivamente essa proximidade tem que ser feita de forma mais eficiente. Os ministros também precisam atuar mais politicamente, estar mais próximos do parlamento e dos deputados da base, responder de forma mais rápida às demandas colocadas pelo parlamento", completou Maia.
Questionado, o presidente da Câmara dos Deputados minimizou ainda a paralisação temporária da Casa durante as crises que culminaram nas demissões dos ministros Antonio Palocci (Casa Civil) e Alfredo Nascimento (Transportes). "As crises envolvendo os ministros e o governo fazem parte do processo democrático do Brasil. A presidente agiu de forma muito rápida tanto na crise que envolveu Palocci quanto na do Ministério dos Transportes. Com isso, a presidente mandou dois recados: um recado ao País de que não vai tolerar e exitar em tomar medidas e que vai afastar integrantes que tenham qualquer tipo de problema. E mandou um recado ao governo: que façam ações com muito cuidado (...) e que não vai passar a mão sobre nenhum tipo de situação constrangedora por que passa os atores ou o ministério. Foram recados duros e consistentes", declarou Marco Maia.