Em protesto realizado hoje (28) no Cam (Centro Administrativo Municipal) os sem-teto que estão morando em barracos às margens da rodovia MS-156, que dá acesso ao Distrito Industrial de Dourados, reclamaram por saúde e segurança. São 23 famílias distribuídas por diversos barracos de lona há mais de seis anos, que não tem acesso a rede municipal de saúde por não terem endereço fixo e, portanto não fazem parte de nenhum núcleo regional de atendimento.
Segundo relatos do sem-teto Alexandre da Silva, de 25 anos, a esposa dele perdeu um filho por não fazer o acompanhamento pré-natal. A gestante teria procurado um posto de saúde e sido informada de que não poderia ser atendida por não ser moradora da região.
A gestante Luciana Soares, 33 anos, percorre os postos de saúde para conseguir um atendimento. Grávida de sete meses, a sem-teto está preocupada por nunca ter feito uma consulta ou exame pré-natal, “Eu não pude ser atendida porque não tenho residência fixa na região de algum posto de saúde. Eu e outras mulheres sempre estamos passando por essa dificuldade e esperamos uma solução imediata”.
Segurança
Devido aos barracos estarem localizados às margens de uma rodovia movimentada e das ruas que dão acesso ao um bairro populoso, o risco é muito alto.
Edilson Prudêncio, 32 anos, mora no local há seis anos e reclama da falta de segurança pela alta velocidade dos veículos “Meu filho morreu atropelado na beira da rodovia, muitos já morreram atropelados, não moramos lá porque gostamos, é porque não temos para onde ir”.
Há alguns meses um motorista perdeu o controle de uma carreta que invadiu a comunidade habitada sem-teto, destruindo alguns barracos. Alexandre da Silva estava com a esposa e as duas filhas dentro do barraco “Foi um susto enorme, tivemos que correr, graças a Deus ninguém da minha família saiu ferido”.
Os moradores devem ser removidos do local nos próximos meses pela Prefeitura que já fez uma triagem e encaminhará as famílias para um residencial que está sendo finalizado e deve ser inaugurado no próximo mês.