O prefeito Murilo Zauith visitou na semana passada, pela primeira vez desde que ocorreu a invasão no local, as famílias que invadiram no dia 13 de maio uma propriedade particular no bairro Jockey Clube. O grupo, hoje formado por cerca de 180 famílias, está acampado na área na onde existia uma cancha de corrida de cavalos.
Acompanhado do vereador Cido Medeiros e do presidente da Udam (União Douradense das Associações de Moradores), Demetrius Cavalcante, Murilo se dispôs a tentar uma negociação com os proprietários do imóvel, mas deixou claro que enquanto não tiver autorização dos donos da área a Prefeitura não tem como levar qualquer tipo de benfeitoria para o local.
A área invadida pertence ao espólio da família de Felisbino Pires Neto e parte está integrada ao patrimônio dos empresários Sizuo Uemura e Edson Freitas da Silva e, na administração anterior, o ex-prefeito Ari Artuzi - que renunciou ao mandato após ter sido envolvido em denúncias de fraudes e favorecimento em licitações na operação “Uragano” (furacão, em italiano) da Polícia Federal – tentou negociar o imóvel para repassar ao Governo do Estado, visando a construção de uma escola de ensino médio.
O representante do grupo que ocupa o terreno, Paulo Barros, disse que a intenção das famílias era conseguir a abertura de ruas e outras melhorias, alegando que os lotes já foram todos demarcados extra-oficialmente, mas o acesso é dificultado pela falta de ruas. Eles reclamaram ainda da falta de energia e de água.
Murilo afirmou que pode oferecer assistência na área social e de saúde aos moradores, como já vem acontecendo, mas deixou claro que apenas isso está ao seu alcance devido à situação da área. Ele sem propôs a acompanhar uma comissão dos sem-teto para conversar com os donos da área e verificar a possibilidade de negociar a desapropriação do imóvel ou mesmo se o Município poderia levar algum tipo de serviço para atender às famílias.
Legalidade
O prefeito disse que está disposto a ajudar, mas desde que tudo seja feito dentro da lei. Ele lembrou que assumiu a Prefeitura com várias irregularidades e que mantém o propósito de recolocar Dourados no rumo certo, mas, para isso, é necessário agir com responsabilidade. Murilo garantiu ainda que não estava ali para enganar o grupo, e reafirmou que não vai tolerar atitudes de desobediência às leis. “As coisas tem que ser feitas dentro da legalidade”.
Paulo Barros falou em nome das famílias e garantiu que o grupo também não está disposto a agir ilegalmente e correr o risco de perder a possibilidade de conseguir um espaço para construir uma casa. Parte das famílias que ocupam a área está cadastrada para os programas de moradias, mas ainda aguarda pelo sorteio e por isso sabem que se cometerem qualquer ato irregular poderão ser alijadas de participação nos programas de habitação popular por até dez anos.