A mãe do adolescente Elieverton Freire Viana, de 16 anos, que morreu na madrugada de domingo (31), no Hospital da Vida, depois de quatro meses cumprindo pena de ressociabilização na Unei (Unidade Educacional de Internação) “Laranja Doce”, em Dourados, está acusando o Estado pela morte do filho.
Rosana Carolina Freire Viana, residente no conjunto Estrela Porã, em Dourados, disse ontem (1) que só ficou sabendo que o filho havia sido hospitalizado através de uma amiga que foi até o Hospital da Vida para visitar familiares. “Da última vez que fui visitar meu filho na Unei, ele reclamou de muitas dores nas costas e quando eu perguntei se alguém tinha batido nele, ele só chorou, não falou nada”, relatou Rosana.
Em entrevista ao repórter Osvaldo Duarte, da rádio Grande FM, a mãe apela ao Ministério Público, e às demais autoridades, para que essa situação seja esclarecida, afirmando ainda que “tem certeza” de que o filho recebeu maus tratos no interior da Unei.
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Elieverton foi apreendido em março deste ano depois de se envolver em um furto de bicicleta. Ele era considerado um aluno de bom comportamento nas ocasiões em que deixava a cela para frequentar as salas de aula mantidas no interior da Unei, mas pode ter tido, também, algum desentendimento com outros menores infratores que permanecem internados.
O adolescente foi encaminhado ao HV (Hospital da Vida) pela primeira vez, na semana passada, na quarta-feira (27 de julho), queixando-se de fortes dores nas costas. Ele permaneceu internado até sábado (30), quando foi liberado pelos médicos e retornou para a Unidade educacional. Na madrugada de domingo, porém, ele voltou a reclamar das mesmas dores e foi novamente levado ao HV, onde morreu por volta das 4h30.
O médico legista, Raul Grigoletti, que assinou o atestado de óbito, assinalou como causas da morte do menor: Choque hipovolêmico [perda de sangue causada por diarreia, vômitos, hemorragias e inflamações em casos de cólera, acidentes, pancadas...], ruptura encapsulada do baço [complicação grave de lesão abdominal causada geralmente por pancadas] e trauma abdominal fechado [onde não há penetração do agente agressor na cavidade peritoneal].
A Polícia Civil deverá abrir procedimento para investigar o caso.