A morte do adolescente Elieverton Freire Viana, de 16 anos, ocorrida na madrugada de domingo (31), no Hospital da Vida, que cumpria há quatro meses pena socioeducativa na Unei (Unidade Educacional de Internação), começa a ser investigada pela Polícia Civil de Dourados. As lesões descritas no atestado de óbito são iguais às de vítimas de espancamento.
O delegado responsável pela investigação, João Alves de Queiroz, disse ao Douranews que desde ontem (2) começou a tomar os depoimentos e colher provas para esclarecimento da causa-mortis do adolescente. O primeiro depoimento dado à polícia foi de Rosana Carolina Freire Viana, mãe do adolescente, que na última segunda-feira (1) clamou por justiça e acusou o Estado como responsável pela morte.
Nesta quarta-feira começam a prestar depoimentos os funcionários, o diretor da instituição e as demais testemunhas em torno do fato. Hoje (3), pela manhã, o juiz da Infância e da Aolescência, Zaloar Murat Martins, visitou a Unidade, conversou com o diretor e internos e percorreu as dependências administrativas do prédio.
O delegado João Alves Queiroz diz que espera o laudo necroscópico que ficará pronto nos próximos dias para aprofundar as investigações. “Solicitamos o laudo necroscópico com urgência para que, junto com os depoimentos, possamos chegar ao que realmente aconteceu”.
O atestado de óbito diz que o adolescente sofreu ruptura encapsulada do baço e trauma abdominal fechado e seu coração parou de fornecer sangue para o corpo, o que pode ser conseqüência de um espancamento.
Mais vítimas
Segundo matéria publicada no Diário MS, outro adolescente pode ter sido vítima de espancamento na Unei de Dourados. Elizangela Martins de Souza, de 36 anos, disse que o filho dela também foi internado no Hospital da Vida com sintomas que apontavam maus tratos. A mãe foi visitar o filho no hospital e o encontrou com hematomas no pescoço e reclamando de dores abdominais e com sangramento na gengiva.
O delegado disse não ter conhecimento do caso denunciado. “Não tive conhecimento de outros casos, além do óbito investigado até o momento”, afirmou Queiroz.
A Superintendência de Assistência Sócio Educativa, da Secretaria de Justiça e Segurança Pública, instaurou uma sindicância para ouvir internos e funcionários para apurar as circunstâncias e se existem mais casos como os denunciados.