O Douranews conversou com José de Oliveira, um dos coordenadores do MST a pauta aponta três pontos básicos para discussão e solução – a troca da superintendência estadual, em Campo Grande, com a saída de Manoel Furtado Neves; a revogação imediata da liminar do MPF que paralisou as ações da Reforma Agrária no Estado e também a troca do chefe do escritório do Incra em Dourados, cargo ocupado atualmente por José Bentinho.
Segundo Oliveira, o procurador Marco Antonio disse que “a liminar poderá ser revogada, desde que haja um acordo com o Incra”, porém deixando claro que “o processo não será paralisado até a solução final”.
Para o líder este seria um passo importante, pois conforme contou ao Douranews, “tem gente sendo penalizada sem estar errada; são pessoas que já estão acampadas há mais de cinco anos e vêm sendo tratadas com prepotência”, argumentou.
Ele disse ainda que há exageros nas ações do Incra. “Dos cerca de 1.800 lotes que já foram analisados, apenas 100 apresentaram situação irregular. Ainda faltam ser analisados aproximadamente 1.200 lotes e sabemos que o resultado será semelhante. Porém, não podemos ser tratados com tal prepotência”, afirmou José de Oliveira.
O líder contou ainda que um outro assunto foi tratado com o promotor. “Estão querendo recortar as áreas coletivas e nós, do Movimento, pedimos para que esta atitude seja revista, porque isto seria criar um assentamento dentro de outro”, o que ele considera absurdo. Ele acrescenta que nestas áreas que os assentados já fizeram investimentos, inclusive utilizando recursos do Pronaf. “Não podemos arcar com esse prejuízo”, destacou.
Após a entrega das reivindicações ao procurador, os manifestantes retornaram para o Incra onde aguardarão um posicionamento da direção nacional do movimento, dizendo se eles devem sair do local ou continuar acampados no Incra de Dourados. “É bom deixar claro que estamos nas dependências do Incra, mas não estamos impedindo que os servidores exerçam suas funções. Apenas fechamos o prédio para atendimento público”, ressaltou Oliveira, dizendo ainda que “o clima é de paz entre nós e os trabalhadores”.