A conferência de abertura da V Semana de Educação e V Seminário de Pesquisa da FAED/UFGD debateu “A relação entre Universidade e Educação Básica” a partir da fala do Prof. Dr. Marcelo Soares Pereira da Silva, da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Uberlândia (FACED/UFU), na noite da última quarta-feira (24), no auditório da Unidade 2 da UFGD.
Marcelo Soares dirigiu a conferência para os desafios que os novos sujeitos, atores e estratégias estão apresentando para a escola e a universidade. Fez sua fala foi baseada nas políticas públicas.
Para o conferencista, os desafios da articulação entre Educação Básica e Superior estão em pensar a formação de professores no novo contexto da política de formação de professores e das diretrizes curriculares, questionando como a pedagogia e as licenciaturas vão responder as demandas que já são sentidas nas escolas, mas que ainda não chegaram às universidades. A solução seria justamente aprofundar o diálogo e a relação entre Educação Básica e Universidade, tema das Semanas da UFGD.
O fosso entre a pós-graduação e a graduação também foi colocado como um desafio e mais uma vez, nas palavras de Marcelo Soares, “o próprio evento espelha a nova relação que se pretende estabelecer, porque é ao mesmo tempo voltado para a graduação e a pós-graduação, antes isso era inimaginável”.
Entre os tópicos abordados sobre os novos sujeitos nas escolas estavam: as políticas de educação inclusiva e a pessoa com deficiência; a afirmação da diversidade, da cidadania e dos direitos humanos; a educação de tempo integral e a relação com a comunidade; e o Enem e as novas demandas para o Ensino Médio.
Sobre as novidades da legislação referente à Educação foi citado: o PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação) que preconiza a “visão sistêmica da Educação”; a mudança de FUNDEF, com foco no financiamento do Ensino Fundamental, para FUNDEB, abrangendo toda a Educação Básica (Infantil, Fundamental e Médio); a ampliação para o chamado Ensino Fundamental de 9 anos, com os alunos de 6 anos que antes eram da Educação Infantil e agora estão no Fundamental; e a obrigatoriedade do Estado em garantir ensino dos 4 aos 17 anos, aumentando a responsabilidade que anteriormente era de garantir apenas o Ensino Fundamental e que agora também é de oferecer Educação Infantil e o Ensino Médio. “Os secretários municipais e estaduais sabem o que significam essas ampliações”, comentou o conferencista, remetendo as novas exigências sobre os governos.
Ainda falou das novas diretrizes curriculares para a Educação Básica, com o ciclo de alfabetização e a “expectativa de aprendizagem”; do decreto 6.094/2007 e do Plano de Metas de Todos pela Educação, que trouxe diretrizes para organização da educação Básica, instituiu o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e sua utilização como parâmetro para várias políticas; definiu os eixos de ação da União (gestão escolar, formação de professores e funcionários, recursos pedagógicos e infraestrutura); e estabeleceu novas bases na relação entre União, Estados e Municípios através do PAR (Plano de Ações Articuladas).
Como novos atores na Educação, citou os programas de formação de professores (Proforti, Pradime, Escola de Gestores, Pró-Conselho, Fortalecimento dos Conselhos Escolares, Pró-Letramento, Gestar II e Pró-funcionário), o envolvimento da Capes com a formação de professores pro meio da criação do Conselho Técnico-Científico da Educação Básica, do PIBID, do Observatório da Educação e da UAB (Universidade Aberta do Brasil).
Chamou de novas estratégias o decreto 6.755/2009 sobre a política nacional formação de professores, que instituiu os fóruns estaduais de apoio à formação docente. Através desses fóruns deveriam ser elaborados os planos estratégicos de formação de cada Estado, demandas que seriam traduzidas e disponibilizas na Plataforma Freire.
Marcelo Soares ainda discorreu sobre os novos marcos para regulação da Educação Superior, entre eles o SINAES e suas implicações na avaliação institucional, os novos instrumentos de avaliação para autorização e reconhecimento de cursos, o FIES e o Prouni, o surgimento dos IFETs (Instituições Federais de Educação Tecnológica) e a expansão das IES (Instituições de Ensino Superior) estaduais e privadas, além da criação de novas universidades federais e campis, do REUNI e da expansão das IFES (Instituições Federais de Ensino Superior), e dos mestrados profissionais e áreas de “ensino de..”.
Essa conferêcnia de abertura foi coordenada pela Profª. Drª. Elisângela Alves da Silva Scaff (PPGEDU/FAED/UFGD) e a V Semana de Educação e V Seminário de Pesquisa da FAED/UFGD está reunindo aproximadamente 500 pessoas, entre estudantes, profissionais, gestores e pesquisadores. A programação prossegue com conferências, oficinas pedagógicas, minicursos, simpósios temáticos e pôsteres até 27 de agosto.