O coordenador Nacional de Saúde Mental, Roberto Tykanori, anunciou ao deputado federal Marçal Filho (PMDB), durante audiência no Ministério da Saúde, que o governo federal vai lançar nos próximos dias um amplo programa de assistência aos dependentes químicos. “O melhor de tudo é que esse programa será nos moldes daqueles que já existem nos países desenvolvidos, onde o dependente é tratado em sua plenitude e não apenas por meio de medidas paliativas”, comemora Marçal Filho.
Na audiência que teve com o coordenador do Ministério da Saúde, o deputado foi informado que o programa elaborado pelo governo federal vai tratar o problema da dependência química em todas as frentes. “Num primeiro momento o dependente será internado em unidades mantidas pelo Ministério da Saúde e, num segundo momento, será levado para instituições parceiras onde receberá todo acompanhamento psiquiátrico, psicológico, de assistência social e terapêutico para se livrar das drogas”, explica Marçal Filho, que é integrante da Frente Parlamentar de Combate ao Crack.
O deputado salienta ainda que a exemplo do que ocorre em outros nações mais desenvolvidas, o programa que será lançado pelo governo federal traz uma importante inovação no tratamento da dependência química no Brasil. “A maioria dos pacientes que recebem tratamento contra as drogas lícitas e ilícitas voltam a consumir essas substâncias depois de retornam ao convívio familiar e sofrem as chamadas recaídas”, observa Marçal. “A proposta do governo federal é afastar o dependente dos grupos de risco, ou seja, quando deixar a clínica, após meses de tratamento, ele ganhará uma casa projetada para suas necessidades e que será construída em conjuntos habitacionais, onde continuará sendo acompanhado de perto por especialistas”, conclui.
Outro diferencial é que após a recuperação e a mudança para essa nova casa, o paciente, que estará sempre em tratamento, inclusive participando de grupos formados nos mesmos moldes dos alcoólicos anônimos, será encaminhado para o mercado formal de trabalho por meio de convênios específicos. “Fica claro, portanto, que o novo modelo de tratamento à dependência química não será mais paliativo, ou seja, o governo vai investir no resgate da dignidade da pessoa humana e na oferta da verdadeira cidadania, proporcionando um programa nos moldes daqueles que sempre acreditamos ser o ideal para tirar definitivamente as pessoas do mundo das drogas”, ressalta.
OUTRAS FRENTES
Além de defender tratamento aos dependentes químicos, o deputado federal Marçal Filho também tem cobrado com firmeza uma mobilização maior dos governos federal e estadual no combate ao tráfico. Há cerca de duas semanas, por exemplo, o deputado participou ontem de reunião no Comando Militar do Oeste (CMO), em Campo Grande, como integrante da comitiva da Comissão Especial de Política sobre Drogas da Câmara dos Deputados, onde foi recebido pelo general João Francisco Ferreira, do Comando Militar do Oeste.
A reunião teve o objetivo de tratar das primeiras medidas que serão tomadas dentro Plano Estratégico de Fronteiras que a presidente Dilma Rousseff lançou no começo de junho. O deputado aproveitou o encontro com o general João Francisco Ferreira para apresentar as reivindicações que entende como necessárias para melhorar a segurança ao longo da fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai e com a Bolívia. Como membro titular do Parlamento do Mercosul, o deputado Marçal Filho também enfatizou a necessidade de integração dos países do Mercado Comum do Sul nas políticas de segurança nas faixas de fronteira. “Não adianta apenas o governo brasileiro fazer sua parte na fronteira, se, por exemplo, o governo boliviano não fizer o mesmo para atacar a produção de folha de coca e o governo paraguaio não conter as plantações de maconha em suas terras, ainda que o Brasil precise ajudar esses países a atingir essas metas”, finaliza Marçal Filho.