O governador André Puccinelli (PMDB) está preparando uma nova e decisiva jogada no xadrez político de Dourados que deverá eliminar de uma vez o perigo ou a ameaça que o prefeito Murilo Zauith poderia enfrentar em caso de resistência dos peemedebistas, aliados nas últimas eleições fora de época, mas que agora voltam a ensaiar um esboço de candidatura própria para as eleições municipais de outubro do ano que vem.
De uma tacada só, Puccinelli quer resolver a questão eleitoral de 2012 e 2014, quando ele próprio volta a ser candidato, à única vaga que se abrirá para o Senado. Para isso, deverá “convocar” pelos menos dois vereadores da atual composição da Câmara douradense para assessorá-lo na Governadoria, na segunda metade do mandato que começa em janeiro do ano que vem.
Entre os cotados desse processo de “cooptação”, estão justamente a vereadora Délia Razuk, uma das virtuais e considerada a mais forte dos três nomes do PMDB numa possível disputa em Dourados, que seria aproveitada em uma autarquia do Governo até às eleições parlamentares de 2014, quando ela pretende disputar uma cadeira na Assembléia Legislativa; e o outro nome seria do DEM, o vereador Gino Ferreira [segundo suplente do senador Waldemir Moka] que já tem reservada a vaga de secretário-adjunto na Secretaria de Produção do Estado.
Com isso, logicamente que em entendimentos por onde passa também a sintonia construída e preservada entre Puccinelli e Murilo, o Governo reforça a base parlamentar já existente com o PMDB e o DEM e minimiza as pretensões desses dois partidos no Município, pelo menos para as próximas eleições. Não está descartada, também, a ampliação dos espaços a essas duas legendas na futura chapa do candidato a reeleição, fator que pode ser antecipado ainda antes de abril do ano que vem, com a reforma administrativa que toma conta de parte dos pensamentos diários do prefeito Murilo.
Pulo do gato
Dentre os nomes considerados como alternativas do PMDB douradense para essa disputa, tem sido citados os dois deputados federais Geraldo Resende e Marçal Filho e a vereadora Délia Razuk, que já foi presidente da Câmara por um período e prefeita interina durante pouco mais de quatro meses, fechando o ciclo de transição política desde o afastamento do ex-prefeito Ari Artuzi até à eleição de Murilo.
Segundo apurou o Douranews junto a fontes da capital do Estado, André tem conversado com as principais lideranças do partido dele em Dourados pelo menos uma vez por semana. No último encontro, inclusive, o governador teria advertido dos riscos de uma eventual dissidência que poderia prejudicar não só o projeto de reeleição do atual prefeito, como inviabilizar a permanência, ou chances, do PMDB em continuar participando da Administração que sairá das urnas de outubro.
Atualmente, embora oficialmente não tenha indicado nenhum quadro para ocupar funções de confiança no primeiro escalão da Prefeitura, o partido do governador está representado na Secretaria de Planejamento com o engenheiro Antônio Nogueira, que já foi candidato a prefeito na década de 90 e hoje é considerado peça estratégica do projeto político-administrativo do atual prefeito, na tarefa de reordenar a retomada do crescimento do Município.
Pela engenharia política de André Puccinelli e Murilo Zauith passam, ainda, outras elocubrações que virão com o desdobramento das conversações em torno da própria sucessão do atual governador. O pulo do gato, por enquanto, nenhum dos dois revela.