Na quarta-feira (21), às 14h, o Projeto “Direito e Cinema: Direito e Justiça Ambiental” e V Congresso Interdisciplinar Direito e Cidadania realizarão uma sessão especial com documentários que retratam a situação ambiental e indígena da região, "Mbaraká - A Palavra que Age" e "A Sombra de um Delírio Verde" (Dark Side of Green).
A sessão será aberta ao público, não apenas aos participantes do Projeto ou do Congresso, e acontecerá no cineauditório da Unidade I (Rua João Rosa Góes, 1761, Vila Progresso.
O evento, além da presença dos participantes do V Congresso Transdisciplinar Direito e Cidadania, contará com os debatedores: Marco Antônio Delfino de Almeida - Procurador da República em Dourados; Marcos Homero Ferreira Lima - Antropólogo do Ministério Público Federal; Jones Dari Goetert - Professor da Faculdade de Ciências Humanas da UFGD; e Spensy Pimentel - Jornalista, pesquisador do Centro de Estudos Ameríndios da USP e diretor de "Mbaraká - A Palavra que Age".
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A Sombra de um delírio verde (29' - 2010)
Na região sul do Mato Grosso do Sul, fronteira com Paraguai, a etnia indígena com a maior população no Brasil luta silenciosamente por seu território para tentar conter o avanço de poderosos inimigos. Expulsos pelo contínuo processo de colonização, mais de 40 mil Guarani Kaiowá vivem hoje em menos de 1% de seu território original. Sobre suas terras encontram-se milhares de hectares de cana-de-açúcar plantados por multinacionais que, em acordo com governantes, apresentam o etanol para o mundo como o combustível “limpo” e ecologicamente correto. Sem terra e sem floresta, os Guarani Kaiowá convivem há anos com uma epidemia de desnutrição que atinge suas crianças. Sem alternativas de subsistência, adultos e adolescentes são explorados nos canaviais em exaustivas jornadas de trabalho. Na linha de produção do combustível limpo são constantes as autuações feitas pelo Ministério Público do Trabalho que encontram nas usinas trabalho infantil e escravo. Em meio ao delírio da febre do ouro verde (como é chamada a cana-de-açúcar), as lideranças indígenas que enfrentam o poder que se impõe muitas vezes encontram como destino a morte encomendada por fazendeiros.
Mbaraká - A Palavra que Age (26' - 2011)
Os cantos dos xamãs guarani-kaiowa são fórmulas verbais que têm uma ação sobre o mundo. Tradicionalmente, eles curam doenças, afastam pragas da lavoura e bichos peçonhentos, anunciam a chegada dos deuses. Eles não só preveem o futuro, mas o conformam. Hoje, esses indígenas vivem em seu mundo uma crise sem precedentes. Confinados em pequenas porções de terra e com os recursos naturais da região onde residem totalmente degradados, eles se veem diante de um impasse: será que suas palavras conseguirão conformar um mundo novo que reverta a crise cosmoecológica por que passam atualmente? Se a palavra pode ser história, mito e narrativa, entre os Guarani-Kaiowá ela também é poesia e profecia: um canto de esperança em um futuro melhor.
O projeto do vídeo, de autoria de Spensy Pimentel, foi um dos 15 ganhadores do prêmio Etnodoc 2009 - Edital de Apoio à Produção de Documentários Etnográficos, do Ministério da Cultura, realizado por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O objetivo desse edital é incentivar a preservação do patrimônio cultural imaterial no país.