Reunião de quase duas horas realizada no começo da tarde de hoje (27), na sede do Imam (Instituto municipal do Meio Ambiente) decidiu que a “Figueira” considerada centenária, existente na avenida Weimar Torres, em frente ao Douranews, está temporariamente preservada. A suspensão do corte foi determinada pela secretária municipal do Meio Ambiente, Valdenise Carbonari, depois que as partes envolvidas no debate concluíram pela necessidade de avaliação do valor histórico da árvore.
Pesou bastante na decisão do grupo as contrarrazões apresentadas pelo promotor da Vara do Meio Ambiente do MPE (Ministério Público Estadual) em Dourados, Paulo Cesar Zeni. Ele levou documentos com o testemunho de pioneiros afirmando que houve, na década de 40, um debate entre fundadores da cidade sobre a preservação de espécies consideradas tradicionais já na época, incluindo as figueiras e os coqueiros. Zeni também apresentou reportagem produzida pelo Douranews, com o depoimento do pioneiro Mauricio de Assis, relatando que a família dele chegou aqui há cerca de 98 anos e a figueira já existia no local.
Em meio aos debates, os membros do Comdam (Conselho Municipal do Meio Ambiente), Ataulfo Stein e Ronaldo Ramos, chegaram a entrar em divergências. Ronaldo disse que, como membro da Câmara Técnica que avaliou o pedido de derrubada da árvore no Conselho, votou pelo plantio de trinta mudas na área do futuro empreendimento comercial. “Não vi essa proposta no texto final da autorização”, reclamou o sindicalista. Stein rebateu dizendo que o parecer do Comdam foi mais amplo e chamou inclusive os segmentos que agora estão preocupados com a figueira a também se engajarem na luta pelo fim da queima da palha no corte da cana-de-açúcar.
Os representantes do empreendimento comercial chegaram a pedir um prazo até amanhã para ouvir o proprietário do imóvel, que, segundo o advogado Hermes Maciel, se encontra no Acre, mas a secretária Valdenise se antecipou e, atendendo solicitação de membros da família do empresário, decidiu suspender o processo de corte pelo prazo que ainda vigora a autorização (até sexta-feira, 30) e em seguida deve começar a vigorar o período de vinte dias solicitado pelo promotor Paulo Zeni para que seja feito o estudo do valor cultural da “Figueira”.