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“Não sou contra cantineiros, sou a favor da saúde”, diz Albino Mendes

07 de outubro 2011 - 11h47 Por Redação Douranews, com Assessoria
“Não sou contra cantineiros, sou a favor da saúde”, diz Albino Mendes

Autor do projeto de lei que define normas para a comercialização de alimentos nas cantinas das escolas públicas e privadas da educação básica de Dourados, o vereador Albino Mendes (PR) esclareceu ontem que pode estar havendo má interpretação por parte de algumas pessoas em respeito ao seu objetivo ao propor a lei.

“Eu não sou contra os cantineiros, sou a favor da saúde”, disse, afirmando que ninguém vai ser proibido de continuar com suas cantinas nas escolas. “O que queremos apenas é que troquem as frituras pelos assados, os refrigerantes pelos sucos naturais e que parem de vender balas doces e todo tipo de guloseima prejudicial à saúde”, explica o vereador.

Albino observa ainda que sendo aprovado projeto, os donos de cantinas terão 90 dias para se adequarem à lei, “sem contar, ainda, que o ano letivo começa apenas em fevereiro, ou seja, mais 60 dias”.

O vereador diz que já ouviu e leu comentários ‘distorcidos’ sobre a sua proposta, e observa que o projeto está disponível na Câmara para quem quiser pedir cópia. “Estão olhando apenas para o lucro e se esquecendo da saúde”, lamenta.

“O projeto não é uma idéia isolada. Para elaborar a lei foram ouvidos profissionais de várias áreas da saúde, como cardiologistas, endocrinologistas, pediatras e nutricionistas. A opinião é unânime. Todos alertaram a respeito da necessidade de as crianças receberem alimentação saudável”, diz Albino.

“Considerando a mudança no perfil epidemiológico da população brasileira com o excesso de peso e obesidade assumindo proporções alarmantes, especialmente entre crianças e adolescentes, é fundamental que as mudanças de hábitos alimentares comecem no ambiente escolar”, opina a nutricionista Juliana Dayana Medina Santos, observando que nos locais onde há cantinas que os produtos comercializados em sua maioria apresentam altos teores de gordura saturada, gordura trans, açúcar livre e excesso de sal.

“Acredito que o grande desafio será também a fiscalização destas cantinas. Mas, a exemplo de muitas outras cidades cujo mesmo propósito tem tido resultados positivos, acho de extrema relevância este projeto de lei”, afirma.

A também nutricionista Maristel Soares diz que alimentação inadequada nas escolas está transformando as crianças em adultos doentes. Segundo ela, já passou da hora de Dourados regulamentar o que pode ser comercializado dentro das escolas. “Hoje as cantinas vendem de tudo, são frituras, salgadinhos com gordura trans, doces e uma infinidade de guloseimas que vão causar o aumento do peso na criança e, futuramente, doenças como diabetes e obesidade, por exemplo,” diz, lembrando que é cada vez mais constante a procura por tratamentos de obesidade infantil.

Já médico Jorge Baldasso diz que o ideal é que as cantinas vendessem apenas produtos saudáveis. “É muito crescente a obesidade infantil e se isto não for freado teremos cada vez mais crianças doentes. É preciso adotar uma política que, além de levar mais exercícios físicos para a escola, estimule uma alimentação saudável”, opina.

“É lógico que precisamos educar a população em relação à saúde. Educação e saúde andam juntas. Portanto, ao informamos as crianças à respeito dos malefícios do uso de substâncias que aumentam o acúmulo de gordura nos vasos sanguíneos, e daí suas conseqüências, estaremos criando uma nova geração, consciente da prevenção e do bem-estar da vida com qualidade”, diz o médico pediatra Eduardo Marcondes, reconhecendo que a obesidade hoje é um grande problema de saúde pública.

Já a orientadora do ‘Vigilantes do Peso’, Suely Ramos, entende que a comercialização de guloseimas nas cantinas escolares deve ser controlada e alguns até mesmo proibidos, “porque a criança não tem consciência alimentar; não sabe discernir o valor nutricional de uma maçã e um chocolate, por exemplo.” Para ela, a criança precisa ser estimulada a consumir alimentos saudáveis.